segunda-feira, 1 de agosto de 2011

UMA OVELHA NO MONTE

Ti Ana Rabuda, a mulher que o 27* mandou parar várias vezes para autuar, tinha-nos convidado há umas semanas para irmos com ela para o monte quando lhe calhasse o dia da vezeira. Foi hoje. Chegámos à aldeia de Gralhas pouco depois das 9.30h e, antes das 10h, já o rebanho estava reunido e pronto para sair. Ovelhas e cabras e as duas cadelas pastoras da Ti Ana: Luna e Lassie. 


Lá fomos percorrendo os diversos campos em redor da aldeia destinados a serem utilizados pelo rebanho. Ouvimos histórias de medo e frio, de lobos e de trabalho de adultos feito por crianças. A Ti Ana Rabuda arranjou-me um pau para eu a ajudar a pastorear o rebanho e eu aprendi muitas coisas novas. Por exemplo, que quando se manda o cão pastor desempenhar uma tarefa, não se vai atrás dele, porque ele entende que vamos nós fazê-la e desiste.



Foram 11 horas no terreno a fazer filmagens e a gravar entrevistas. Apanhámos  calor, chuva e frio. Quando voltámos à aldeia, ela deixou-me encarregue da traseira do rebanho. O mais difícil foi mesmo, à chegada, separar um carneiro e uma ovelha que estavam in love. Vieram num chamego todo o caminho de volta :)


*O 27 é um GNR que multou o próprio pai 27 vezes.

PS - O post de hoje é dedicado à Catarina, a minha afilhada do coração, que faz 3 anos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

BICHOS

(Da vila)


(Da serra)
Daqui a pouco arranco para Fafião para ir ouvir da vezeira das vacas.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

FILHÓS DE MILHO MIÚDO

(Sarapatel para untar a sertã com azeite para fazer as filhós)

Passei todo o dia  na freguesia de Salto. Comecei com o tema as filhoses em casa da D. Irene, passei pelo acampamento hippie ao entardecer e terminei com um chá no restaurante da Maria, Borda D'Água, já noite bem avançada.

Este milho vem de um familiar de Agra. Foi uma tradição do avô do meu sogro que ficava com aquelas amizades, porque o avô era de Agra e nós mandamos-lhes broa centeia que se benze no São Sebastião e eles mandam-nos um quarto de milho-miúdo. E dá muito bom paladar. Nós não pomos só o milho-miúdo, pomos farinha milha, farinha branca de neve e farinha de milho miúdo e tem que se moer como o centeio. Depois bota-se conforme a quantidade que se quiser fazer. Antigamente  fazia-se na sertã ao lume. Depois fazia-se um sarapatel. É uma toalhinha velha, ata-se este fiozinho e vira-se assim e passa-se num tachinho com azeite porque o óleo é muito falso, ou então banha de porco. Este sarapatel guarda-se de ano para ano (D. Irene, aldeia de Paredes, Salto).

quarta-feira, 27 de julho de 2011

TOURÉM III - CHOCALHOS

Chocalhos e campainhas do Pardalinho de Alcáçovas. São dezanove tamanhos distintos de chocalhos que o Paulo tem à venda na sua loja em Tourém. Vende às pessoas da terra, aos emigrantes que têm fazendas no Brasil e que todos os anos voltam à terra e levam recordações, criando, deste modo, circuitos globais de objetos que transportam os sons da terra até muitos milhares de quilómetros de distância.

Estamos a falar de 400 cabeças de gado e  ainda as vão adornando com isto, e com as correias, ainda se vai gastando. O tamanho que se gasta mais aqui, estes dois, o 16 e o 14. Aqui não se nota, mas se o puser a tocar naquele alto, sente-se aqui. Quanto maior for o chocalho, mais se sente. Isto é claro que antes vendia-se muito mais do que agora, antes era o dobro. E depois há as chocalhinhas. Que seria para a fazenda miúda, para as cabras, para as ovelhas e há quem os utilize em cães. O que era imprescindível era que o gato tivesse um pequenito. Gato que se prezasse tinha um chocalho pequeno.




Depois ainda fomos fotografar algum do gado que estava na aldeia e revisitámos a horta mágica da D. Maria e o museu privado do sr. José. Para a semana, voltaremos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

DE VOLTA

Assuntos resolvidos lá em baixo e estou de volta a Montalegre. Depois da noite do trator canino, compensei-me no silêncio do meu quarto da Figueira. Não quer dizer que nesta altura do ano as noites sejam silenciosas por lá. As gaivotas pequeninas estão prontas para os primeiros voos e as mães chamam por elas toda a noite. Mas eu adormeço embalada pelas falas delas. A janela aberta com as persianas a deixar entrar o ar frio da noite por entre as frestas. Mesmo no inverno. Mas o que eu gostava mesmo era de ter uma janela no teto e adormecer a olhar para as estrelas.
Comi as framboesas do pé que plantei há um ano e os physalis plantados há uns meses. E depois esfreguei as mãos no alecrim/rosmaninho(???) porque gosto de sentir nas pontas dos dedos os perfumes das ervas.
Estou de volta. Que bom :)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O trator foi para o quarto dos donos. E eu vou ver se durmo.

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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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