sexta-feira, 5 de agosto de 2011

BIO-HORTA

Gosto da bio-horta do Ecomuseu. Entre outras razões, porque eu gosto de cheiros. Dos cheiros das ervas aromáticas a impregnarem-se nos meus dedos quando as corto - sempre com a tesoura para não sangrarem - e tempero as massas, os risottos e as sopas.
Do cheiro do limão quando o corto ao meio e o espremo para aromatizar o chá de gengibre adoçado com mel de urze e tomado a horas impróprias.
Do cheiro da alfazema, quando caço as flores e as esfrego entre o indicador e o polegar e, já amassadas, as encosto às narinas.

(Manjerona)

(Alfazema)

(Orégãos)

O projeto com a bio-horta do Ecomuseu, que se enquadra num dos temas do trabalho que estou aqui a desenvolver, ganhou hoje novos contornos. Vai resultar numa comunicação no Congresso de Vilar de Perdizes, pretende funcionar como uma estratégia de inclusão social, ser um ponto de partida para o desenvolvimento de práticas de valorização do mundo rural, incentivar práticas alimentares saudáveis e ser um espaço de exercício artístico para os mais jovens.

(Ninho)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

RITUAIS NOTURNOS

14 horas seguidas a trabalhar. Transcrever as últimas entrevistas feitas, confirmar na grelha de gravações se todas as sessões foram anotadas, fazer a organização do arquivo fotográfico e delinear o alinhamento de um congresso. E gerir, com surya namaskar, um dia cheio de contradições e ambiguidades e desencantamentos e (possíveis) vitórias. E dores nas costas.



E com mel, açúcar, flor de sal e água morna desfazer-me, num ritual noturno, das tensões acumuladas no corpo. Ajuda-me a manter a distância de segurança quando o dia amanhece. À noite, é impossível domesticar Alia, o meu alter-ego indomável vindo dos confins do deserto do Thar...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

OVELHAME


Está uma pessoa, num registo zen, bucólico e romântico a escolher as fotografias feitas hoje em Gralhas com o rebanho (na segunda-feira fiquei sem bateria na câmara logo pela manhã e hoje à hora do almoço voltei lá para recolher mais imagens), quando é chamada à realidade no chat do gmail:

Inês: e na bimby? tens te divertido?
me: creme de ervilhas, hoje. sopa e batidos todos os dias
Inês: ou seja
me: mas ainda tenho uma relação intimidatória com ela
Inês: só usas a bimby?
me: basicamente sim

Inês: já fizeste pão?
me: não. estou sempre à espera que aquilo expluda quando está na velocidade 9 e a lâmina me atinja a carótida e eu fique a estrebuchar aqui em casa tipo ovelha degolada
Inês: o que é impossível. lolol
me: a lâmina saltar ou atingir-me a carótida?
Inês: ambas
me: não sabes. o medo que tenho à bimby é o mesmo que me faz temer andar de avião. sou uma irracional.

Inês: eu estou admirada por não teres dedicado nenhum post à bimby
me: ainda não fiz nada de inovador com ela que me destaque dos milhões de referências que encontro na net
Inês: e era suposto?
me: sim, é suposto eu ser uma pessoa especial

terça-feira, 2 de agosto de 2011

FAVOS DE MEL

Fomos a Salto fazer uma entrevista filmada ao senhor Constantino das croças. Levava também um pão aqui de Montalegre para oferecer ao sr. José, o velho apicultor das horas vagas. As entrevistas a avolumarem-se em pontos muito distantes do concelho tornam por vezes difícil conciliar tantos compromissos. Nestas duas últimas semanas, ando no fio da navalha. Cansaço a avolumar-se, refeições fora de horas e o corpo a doer.
Passámos por casa do sr. José e ganhámos o dia. O filho tinha ido ontem recolher as alsas e naquele preciso momento em que lhe batemos à porta, iniciava-se a extração do mel.
"Ainda hoje falei de si ao almoço. Mas não encontrei o papel que me deixou para lhe telefonar. Como é que adivinhou que eu ia fazer isto hoje?"
Ainda pensei dissertar sobre as minhas premonições, mas achei melhor ouvi-lo falar do mel :)




Antes de sairmos, ainda me estreei com um pedaço de favos de mel. É mesmo bom. Parece que, desta forma, o mel sabe muito melhor :)

E AGORA, ALGO COMPLETAMENTE NOVO

Treino para pastora. Primeira aula. Fotografia tirada com o telemóvel da Dina

COMFORT FOOD




7h. Abro a janela e o dia está cinzento, chuvoso, frio. Ainda tenho o corpo cansado e dorido da vezeira. E muita fome porque ontem acabei por não jantar. Preciso de um mimo...queques de chocolate :)
Enquanto transcrevo a entrevista da Ti Ana, vou sentindo o cheiro doce a tomar conta da casa.

Vai lá por elas, vira-as cá, vira, vai lá dentro. Fora! Fora! Fora com elas, vai lá dentro, fora! Fora Lassie, fora, fora, fora, vai lá por aquelas! Fora! Fora! Luna! Lassie, não! Anda cá! Anda cá! Lassie, anda cá! Toma! Bonita! Pronto, já vem, anda cá Luna, Luna!


Ingredientes
150 gramas de manteiga
250 gramas de açúcar
1,5 dl de leite
6 ovos
160 gramas de farinha de trigo
40 gramas de farinha maizena
50 gramas de cacau em pó
1 colher de sobremesa de fermento Royal

Preparação
Aquecer previamente o forno a 180º.
Bater a manteiga com o açúcar. Juntar os ovos um a um e ir batendo. Juntar o leite e mexer. Juntar a mistura de farinhas, cacau e fermento e envolver bem.
Deitar em formas untadas com manteiga e forradas com papel vegetal.
Levar ao forno o tempo suficiente para cozer mas sem deixar secar em demasia. No meu mini forno demoraram cerca de 25 minutos.

Já me confortei :)


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

UMA OVELHA NO MONTE

Ti Ana Rabuda, a mulher que o 27* mandou parar várias vezes para autuar, tinha-nos convidado há umas semanas para irmos com ela para o monte quando lhe calhasse o dia da vezeira. Foi hoje. Chegámos à aldeia de Gralhas pouco depois das 9.30h e, antes das 10h, já o rebanho estava reunido e pronto para sair. Ovelhas e cabras e as duas cadelas pastoras da Ti Ana: Luna e Lassie. 


Lá fomos percorrendo os diversos campos em redor da aldeia destinados a serem utilizados pelo rebanho. Ouvimos histórias de medo e frio, de lobos e de trabalho de adultos feito por crianças. A Ti Ana Rabuda arranjou-me um pau para eu a ajudar a pastorear o rebanho e eu aprendi muitas coisas novas. Por exemplo, que quando se manda o cão pastor desempenhar uma tarefa, não se vai atrás dele, porque ele entende que vamos nós fazê-la e desiste.



Foram 11 horas no terreno a fazer filmagens e a gravar entrevistas. Apanhámos  calor, chuva e frio. Quando voltámos à aldeia, ela deixou-me encarregue da traseira do rebanho. O mais difícil foi mesmo, à chegada, separar um carneiro e uma ovelha que estavam in love. Vieram num chamego todo o caminho de volta :)


*O 27 é um GNR que multou o próprio pai 27 vezes.

PS - O post de hoje é dedicado à Catarina, a minha afilhada do coração, que faz 3 anos.

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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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