E mordiscar
quarta-feira, 13 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
sábado, 9 de junho de 2012
CESTOS E BOLOS DE ANÇÃ
A incursão foi pensada, ontem, num impulso para matar saudades da prática etnográfica que me ocupou dez meses no Barroso. Já tinha tido, há tempos, a indicação que havia ainda um cesteiro. Arrastei a Guida e fomos em direção a Ançã. Um breve passeio a pé no centro da vila bastou para incluir a localidade na minha lista de lugares ideais para viver.
Não foi difícil encontrar a casa do cesteiro. Vítor Pratas aprendeu o ofício em miúdo quando servia numa quinta. Todas as semanas passavam por lá cesteiros e, através de observações repetidas, acabou por ir dominando a técnica. Na oficina, situada no rés-do-chão da sua casa, expõe os diferentes modelos de cestos que costuma fabricar.
Um dos instrumentos que utiliza no ofício é a rachadeira, uma espécie de ponteiro de madeira que é segmentado numa das pontas e que permite abrir o vime longitudinalmente. Tem três modelos: de duas, três e quatro pontas.
Mas na oficina do Sr. Vítor Pratas não existem apenas cestos. Há peças de madeira, candeeiros feitos de cabaças e algumas imagens de barro. Tudo feito por ele. Algumas são para venda, outras são apenas para exposição nas feiras em que vai participando. Estas últimas ilustram ofícios e práticas da região, como a produção de vinho ou o fabrico do bolo de Ançã. O que deu o mote para irmos em busca do dito. Tínhamos a indicação dada por uma vizinha do Sr. Vítor Pratas que os lugares de venda estão assinalados, na rua, por um cesto coberto por um pano azul e colocado em cima de um banco à entrada da casa onde se fabrica o bolo de Ançã.
Os cestos cobertos de panos azuis abundam nas ruas da vila e decidimos seguir a sugestão de três mulheres com quem nos cruzámos. E fomos ter à casa da D. Dorinda, perto do pelourinho. Há 30 anos, D. Dorinda ia para a Figueira vender os bolos junto ao Mercado Municipal. Durante o verão corria a praia da cidade para ganhar o sustento.
Antigamente, os bolos eram obrigatórios nos casamentos. Faziam parte das ofertas dos noivos a todos os convidados. A oferta incluía os bolos de Ançã, arroz doce, uma caçoila de arroz pardo (arroz de cabidela) com galinha e os cornos. Os cornos são bolos com uma massa semelhante à dos bolos de Ançã, mas que têm a diferença de levar canela, com uma forma alongada. São também conhecidos por cornudos e constituem, ainda hoje, juntamente com os bolos de Ançã, a prenda oferecida pelos noivos aos convidados.
O nome dos bolos permite a pergunta habitual dos clientes - "Dorinda, tens cornos?" - que é sempre recebida com um sorriso honesto e com outra pergunta: "Queres mais mal ou mais bem?". Basta seguir os gestos na escolha dos bolos para perceber o significado da frase. "Mais mal" refere-se aos bolos mais mal cozidos e "mais bem" aos bolos mais bem cozidos. Vieram os "mais mal" que nunca gostei muito de côdeas escuras.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
NA HORTA
Acordar às 6 horas e ir dar o habitual passeio de uma hora com a Pipoca do Barroso. Voltar para casa, fazer o sumo de beterraba, cenoura, laranja e maçã e passar as quatro horas seguintes a cuidar da horta. Os pêssegos estão quase prontos para serem trincados e degustados. Este ano, como estou por cá, vou finalmente conseguir comê-los. E, às ameixas amarelas e encarnadas, também.
As alfaces também estão quase prontas para serem colhidas. A solução dos garrafões de água cortados em baixo deu, novamente, resultado. Ficaram protegidas dos caracóis e das muitas ervas daninhas que abundam por aqui.
Havia ramos de várias árvores que tinham sido podadas há meses e que precisavam de ser queimados. Nas primeiras semanas, depois de ter voltado, já tinha reunido toda a ramagem e ervas secas numa zona do quintal. Na altura, um ferimento na mão (um simples espinho enterrado no polegar) obrigou-me a estar parada alguns dias. Uma ida ao centro de saúde, dores intensas e um raspanete da médica por não tomar a vacina contra o tétano desde os 19 anos. Ainda falta queimar uma parte. Mais uma manhã e fica tudo despachado.
terça-feira, 5 de junho de 2012
THE PERFECSCOPE
Na década de 80, os meus pais mudaram-se para a casa onde a minha avó vivia. A casa tinha sido construída na década de 40 e a minha bisavó paterna, de quem dizem que herdei o feitio e o cabelo, também lá viveu depois de enviuvar e até morrer. A casa estava cheia de memórias - objetos que contam parte da história da minha família paterna.
Antes de nos instalarmos, passámos algumas semanas a limpar e ordenar o que a minha avó tinha deixado antes de ela própria ir viver com a filha. Quando saía do Liceu, passava muitas tardes a desarrumar as muitas divisões da casa: porque era preciso desarrumar primeiro para depois arrumar.
Encontrei alguns trabalhos do meu tio avô pintor escondidos no meio de papéis sem histórias para contar, rendas que a minha avó tinha feito ainda miúda, instrumentos musicais, um gramofone que precisa de restauro, muitas fotografias que ainda consegui organizar e identificar com a ajuda da minha avó e este perfecscope.
O meu pai dizia que tinha sido trazido de Paris pelo meu avô. Entre o Perfecscope e os View Masters que o meu pai acumulava eu fico com o primeiro.
Cada cartão era um faz de conta para histórias que, na minha cabeça, duravam dias e dias e que incluiam viagens épicas ao PartnachKlamm nos Alpes Bávaros ou os rituais de beleza que era preciso cumprir antes de se aceder ao salão de baile parisiense.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
ROSACEAE
Ou sopa de morangos e framboesas. Duas bananas para dar consistência e um número exagerado de morangos (12) triturados até obter um puré. Uma embalagem de framboesas e mel qb por cima. Convém que o dia seja recheado de outras suculências pecaminosas. Para não destoar.
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