Para além das fronhas de almofadas, naperons, panos de tabuleiro, toalhas de banho e toalhas de mesa (estas últimas ficam para depois porque merecem um post especial), a avó Jesuína também fez cobertas para as alcofas dos netos. Encontrei duas no meu antigo quarto em casa da minha mãe. Uma em crochet e com tule aplicado a toda a volta e a outra, em gaze, com um delicado bordado. Não faço ideia como é que esta última sobreviveu a um bebé elétrico...a minha mãe deve-a ter usado poucas vezes quando me levava a passear no carrinho :)
sábado, 23 de junho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
POUSIOS DE CABEÇA
Não me recordo de, alguma vez, as ter visto a uso. São peças desirmanadas que estavam arrumadas de modo a nunca serem encontradas. Foram feitas pela avó Jesuína e devem-lhe ter consumidos muitos serões.
São delicadas e resgatam a memória desta avó que estava sempre vestida de preto a bordar panos brancos de linho ou de algodão.
Imagino que, nas iniciais do seu marido, a avó Jesuína tivesse feito questão de incorporar os dois "As": Adelino de Araújo Peixoto. O primeiro ficou de pernas para o ar.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
COMBINAÇÕES
Gosto de rendinhas, do toque do algodão e dos linhos artesanais e, se colecionasse alguma coisa, seria certamente roupa interior antiga. Saiotes e combinações estariam na minha lista de prioridades.
Não tenho a certeza se estas combinações da avó Susana não serão, afinal, camisas de dormir. Cheiram a alfazema, como todas as roupas antigas que se guardam cá por casa. Ficam-me enormes porque a avó Susana era avantajada.
Os bordados nas duas combinações brancas, uma de mangas compridas e outra de mangas curtas, são exatamente iguais. A combinação cor de rosa, de alças, tem marcas do tempo. Ferrugens que teimam em não sair e, como o tecido já está tão puído, não arrisco lavagens mais agressivas.
Imagino que o meu avó Ventura gostasse de ver a minha avó Susana com estas combinações. Ou camisas de dormir.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
A PRIMEIRA
Foi feita há 36 anos quando eu tinha seis anos. A minha avó Jesuína, que passou a vida a bordar e a fazer crochet, achou por bem ensinar a uma neta maria rapaz as artes femininas. Sugeriu que eu fizesse a almofada para o Dia da Mãe. Todas as tardes, durante algumas semanas, na loja de tecidos do meu pai, ficávamos as duas atrás do balcão, eu a ensaiar agulha e linhas e ela, pacientemente, a ensinar-me os pontos mais rudimentares.
Tenho, estranhamente, porque a minha memória é tão consistente como espuma do mar, lembranças muito sólidas dessas tardes e desses ensinamentos.
Ponto pé-de-flor. Fez-me treinar o ponto vezes e vezes sem conta. Não sei se contou com a minha teimosia em querer fazer as coisas bem feitas e até ao fim.
Anos mais tarde, no 8º ano, em trabalhos manuais, mataram-me a vocação. As duas professores designaram que cada aluno fizesse um trabalho de tecelagem/bordado, com total liberdade para escolher a técnica e os materiais. Eu quis fazer seis. Ponto cruz, ponto de arraiolos, ponto de esmirna e mais uns quantos que, entretanto, se perderam. No final, resultado de um conflito com uma das professoras que eu questionei por não ter tido um comportamento correto para com os outros colegas, não me deram a nota máxima. Nunca mais peguei numa agulha para bordar. Embora me apeteça.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
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