sábado, 4 de agosto de 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DO PENEDO

Voltámos hoje de manhã ao Penedo. Na companhia da Guida e da D. Eduarda, mulher do Sr. Manuel Paurrinhas, fomos ver as rochas e carreiros cujos nomes ainda faltava assinalar. Pescoço do Cavalo, Leivada, Beira dos Ouriços, Costado, Carreiro Rico, Penedo Pequeno, Caixão e Pedra da Nau.
Lá em baixo andavam os homens a apanhar robalo e percebes e, mais adiante, os surfistas que, momentos antes, tinham passado por nós. Entre os nomes das pedras houve tempo para falar da relação complexa que se foi construindo com o mar nesta zona de contacto que abarca as areias, as rochas, a água, a fauna marinha e os homens.
Quem no penedo zaragateia nunca se deita sem ceia revela a importância das rochas na economia local e o papel fundamental que o Penedo desempenhou em momentos de grande carência, nomeadamente durante a II Grande Guerra. 
Era também ao Penedo que voltavam todos os anos, por alturas da Quaresma, as gentes das localidades de Brenha, Allhadas e Tavarede, entre outras, para apanhar ouriços, percebes e mexilhão e garantir a proteína animal quando o interdito religioso afastava a carne da mesa.

 Manuel Paurrinhas a ensinar-me o mar

Pedra da Nau

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A TRÊS MILHAS DO PENEDO

Dizem os homens dali que no penedo só não se comem as pedras e os limos. Mas também se vai pescar mais longe. De bote e com o robalo em vista. É no Coberto, pedaço de mar onde as pedras nunca ficam visíveis.

Na Medroa é onde a gente entrava quando havia mar. Quando havia vagas os barcos saíam para a pesca e depois o mar alteava e a gente tinha de esperar que a maré enchesse para vir para dentro porque na Figueira havia uma barra muito fraca. Então a gente esperava que a maré viesse para cima para entrar. Havia ali um farol. É a indicação da gente para entrar (Paurrinhas, 23-7-2012).

Manuel fazia a pesca do robalo à linha. Do rile desenrola-se o fio de seda. 100 metros. Em cada duas braças, e mais um pouco, ata-se um estralho, fio de seda com o comprimento de uma braça. E preso no extremo do estralho, o anzol. Em cada sete anzóis leva uma bóia pequena. Nas extremidades, as pedras e as bóias sinalizadoras de maior dimensão.

Cada palanque leva duas pedras, uma em cada ponta. As bóias, a gente marcava por terra. É aquele poste por aquele, aquela casa por aquela. Às vezes com névoa é mais difícil. Mas são umas bóias maiores. São pintadas ou numeradas. Uma em cada lado. E essas pequenitas para deixar a linha não ir ao fundo. O isco era o pilado. Era um caranguezito, servia de isco, o pilado. São pequeninos (cabem na palma da mão). Há uma parte da asa maior, que corta mais, é mais rijo, a gente crava o anzol por baixo da pata e o pilado fica sempre vivo, aguenta-se dias e dias vivo. Lá no coberto. (Paurrinhas, 26-7-2012).


 Rile com fio de seda

Anzol preso com o estralho



segunda-feira, 30 de julho de 2012

AS BROAS DOCES DA CASA ARMÉNIO


São servidas, às fatias, juntamente com o pão, as azeitonas, os pastéis de massa tenra e os bolinhos de bacalhau, como entrada. Mas, no restaurante, também podem ser compradas e levadas para se comer em casa ou onde bem apetecer. E apetecem. Porque é difícil resistir a  tantas nozes e sultanas acamadas numa massa húmida, compacta, cítrica e ligeiramente adocicada.


sábado, 28 de julho de 2012

PICOLÉ DE MELANCIA


Enquanto o desidratador solar que encomendei não fica pronto (já vai ser difícil aproveitar as ameixas do quintal para secar), vou-me entretendo com os gelados. Desta vez fiz um simples picolé de melancia. Basta bater a polpa do fruto até ficar líquida, colocar nas formas e levar ao congelador. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

ARRILHADA, BICHEIRO, RAIFOL, COFE


Hoje voltei a casa do Sr. Manuel para ver os apetrechos que ele usava para pescar no penedo e com o bote a três milhas da costa. Explicou-me, entre muitas outras coisas, como usava o rile para apanhar o robalo, como colocava o isco na cana da Índia para atrair os peixes, os polvos e os caranguejos e como se utiliza o cofe para capturar, entre outros, o barbacho. E ainda houve tempo para recordar como as mulheres dali preparavam os fígados das raias para lhes extrair o óleo que depois era usado nas candeias.

 Isco (congelado) feito com as minhocas que se apanham no morraceiro

Cofe desmontado (em primeiro plano, os pesos de chumbo)

terça-feira, 24 de julho de 2012

DA MEDROA ÀS POMBAS



Medroa, Muja Velha, Cabeça da Tartaruga, Cabeça da Vara, Caldeirão do Meio, Caldeirão do Norte, Travessinha, Cavalo, Caramujo do Sul, Caramujo do Meio, Bico Torto, Penedo do Ferro, Penedo do Alto do Ferro, Lagar, Alta dos Bofes, Galé do Sul, Galé do Meio, Galé do Norte, Mal Afortunado, Alta da Emide, Emide do Norte, Vale de Vito, Pedra Grande, Beira do Poço, Alta dos Besteiros, Cagada, Penedo Rasteiro, Pedra da Cevada e Pombas.
Fomos ver das pedras. O Sr. Manuel Paurrinhas, o João, o sobrinho neto, e eu. Uma manhã inteira a fazer o percurso entre Buarcos e o Teimoso e a aprender os nomes das pedras. E das altas, as extensões de areia que ficam entre cada cada conjunto de pedras e que são suficientemente grandes para ganharem nome. 
Também as pedras só ganham nome porque têm importância. E ter importância mede-se, sobretudo, pela variedade e pela quantidade de espécies que abrigam.
Ir ao penedo significa que se vai pescar para as pedras. Este território masculino, onde os homens provam a valentia, é invadido, nesta altura do ano, pelos turistas que brincam aos exploradores. Mas é preciso sabedoria para encontrar os bichos. É nas beiras, pedaços de rocha onde se abrigam os animais, que é preciso procurar. E esse é um saber dos homens desta fronteira.
E no meio da conversa sobre o mar de Buarcos e sobre o penedo, houve muitas histórias da pesca do bacalhau, dos encontros com esquimós e das comidas de pescador que não se encontram nos restaurantes. 



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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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