Para meninas com a língua atrevida
terça-feira, 14 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
A FLOR DO JARDIM
A par da máquina registadora e de alguns expositores de roupa, esta coleção de carimbos é uma das poucas coisas que ficaram da loja do meu avô e do meu pai. Encontrei-a esquecida numa gaveta na arrecadação quando a semana passada andei a fazer limpezas na tralha.
Um dos meus entreténs, em miúda, quando passava as tardes no sótão da loja (para onde subia a medo, porque achava sempre que algum dos manequins ia ganhar vida!) era brincar com estes carimbos. O que basicamente dava sempre direito a repreensões. Isso e fazer com que o escadote de ferro me atingisse a cabeça.
Faltam letras e números e alguns dos carimbos já estão descolados. Mas no dia em que faz 10 anos que o meu pai morreu, pareceu-me uma boa ocasião para cuidar que fiquem em melhor estado.
sábado, 11 de agosto de 2012
O COFINHO DA MERENDA E DAS ENGUIAS
Passei o dia de hoje no Núcleo Museológico do Sal a aprender a fazer um cofinho. Os cofinhos são cestos que, no passado, eram usados para levar a merenda quando se ia apanhar enguias e para se transportar estas quando se ia vendê-las à Figueira da Foz.
A D. Aida só aprendeu a fazer estes cestos há dois anos com o único homem que ainda os faz. O modo como se apanham e preparam os juncos nas salinas é distinto do que vi fazer em Salto com o Sr. Constantino no projeto com o Ecomuseu de Barroso. Aqui, os juncos não são cortados pela base, mas sim arrancados. Também não são delubados nem maçados. Ficam três meses a secar à sombra e quando vão ser utilizados têm de ser humedecidos com, pelo menos, 24 horas de antecedência. Neste último ponto a técnica aproxima-se daquela que observei em Salto.
Não é fácil aprender esta técnica. Passámos a manhã inteira em tentativas frustradas sem atinar com a sequência de gestos, mas antes do almoço fez-se luz :)
Base do cofinho que estou a fazer.
Depois do almoço num antigo armazém de sal, onde a D. Aida nos serviu uma opípara refeição, voltámos para o Núcleo Museológico do Sal para ver fazer mais algumas etapas da construção do cofinho e continuar a tecer as bases dos nossos cofinhos. D. Aida já se disponibilizou para nos receber em sua casa para podermos completar esta aprendizagem. Lá irei. Mas não são apenas os cofinhos da D. Aida que me interessa aprender a fazer. No dia 17 irei ver fazer broa de milho com salicórnia. E no dia 18 volto ao Núcleo Museológico do Sal para participar numa safra à antiga.
sábado, 4 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
DO PENEDO
Voltámos hoje de manhã ao Penedo. Na companhia da Guida e da D. Eduarda, mulher do Sr. Manuel Paurrinhas, fomos ver as rochas e carreiros cujos nomes ainda faltava assinalar. Pescoço do Cavalo, Leivada, Beira dos Ouriços, Costado, Carreiro Rico, Penedo Pequeno, Caixão e Pedra da Nau.
Lá em baixo andavam os homens a apanhar robalo e percebes e, mais adiante, os surfistas que, momentos antes, tinham passado por nós. Entre os nomes das pedras houve tempo para falar da relação complexa que se foi construindo com o mar nesta zona de contacto que abarca as areias, as rochas, a água, a fauna marinha e os homens.
Quem no penedo zaragateia nunca se deita sem ceia revela a importância das rochas na economia local e o papel fundamental que o Penedo desempenhou em momentos de grande carência, nomeadamente durante a II Grande Guerra.
Era também ao Penedo que voltavam todos os anos, por alturas da Quaresma, as gentes das localidades de Brenha, Allhadas e Tavarede, entre outras, para apanhar ouriços, percebes e mexilhão e garantir a proteína animal quando o interdito religioso afastava a carne da mesa.
Manuel Paurrinhas a ensinar-me o mar
Pedra da Nau
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
A TRÊS MILHAS DO PENEDO
Dizem os homens dali que no penedo só não se comem as pedras e os limos. Mas também se vai pescar mais longe. De bote e com o robalo em vista. É no Coberto, pedaço de mar onde as pedras nunca ficam visíveis.
Na Medroa é onde a gente entrava quando havia mar. Quando havia vagas os barcos saíam para a pesca e depois o mar alteava e a gente tinha de esperar que a maré enchesse para vir para dentro porque na Figueira havia uma barra muito fraca. Então a gente esperava que a maré viesse para cima para entrar. Havia ali um farol. É a indicação da gente para entrar (Paurrinhas, 23-7-2012).
Manuel fazia a pesca do robalo à linha. Do rile desenrola-se o fio de seda. 100 metros. Em cada duas braças, e mais um pouco, ata-se um estralho, fio de seda com o comprimento de uma braça. E preso no extremo do estralho, o anzol. Em cada sete anzóis leva uma bóia pequena. Nas extremidades, as pedras e as bóias sinalizadoras de maior dimensão.
Cada palanque leva duas pedras, uma em cada ponta. As bóias, a gente marcava por terra. É aquele poste por aquele, aquela casa por aquela. Às vezes com névoa é mais difícil. Mas são umas bóias maiores. São pintadas ou numeradas. Uma em cada lado. E essas pequenitas para deixar a linha não ir ao fundo. O isco era o pilado. Era um caranguezito, servia de isco, o pilado. São pequeninos (cabem na palma da mão). Há uma parte da asa maior, que corta mais, é mais rijo, a gente crava o anzol por baixo da pata e o pilado fica sempre vivo, aguenta-se dias e dias vivo. Lá no coberto. (Paurrinhas, 26-7-2012).
Rile com fio de seda
Anzol preso com o estralho
segunda-feira, 30 de julho de 2012
AS BROAS DOCES DA CASA ARMÉNIO
São servidas, às fatias, juntamente com o pão, as azeitonas, os pastéis de massa tenra e os bolinhos de bacalhau, como entrada. Mas, no restaurante, também podem ser compradas e levadas para se comer em casa ou onde bem apetecer. E apetecem. Porque é difícil resistir a tantas nozes e sultanas acamadas numa massa húmida, compacta, cítrica e ligeiramente adocicada.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
