sábado, 1 de setembro de 2012

CARIL DE LEGUMES


No livro A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses, de José Ferrão, a entrada relativa à curcuma refere a sua utilização, para além da esfera culinária, no tingimento dos panos. Também eu, no tempo em que fazia a minha investigação de mestrado junto dos devotos de Krishna em Lisboa, testei as propriedades corantes da curcuma. Pouco sucesso. Com o tempo e as lavagens perdem os panos a sua cor.
Os rizomas secos da Curcuma longa L. ficaram também conhecidos como açafrão da terra (por oposição ao açafrão da Índia, isto é, ao Crocus sativus L.) ao qual os persas, tal como indica Rui Rocha no livro A viagem dos sabores, chamavam darzard (pau amarelo).

Ingredientes
Azeite
Curcuma
Cominhos
Canela em pó
Piri-piri
Sal marinho
Cebola
Leite de côco
Legumes variados (usou-se couves, feijão verde, beringela, courgete, cenoura e alho francês)
Amêndoas
Óleo de côco
Flor de sal
Cebolinho
Sumo de limão

Preparação
Num tacho largo colocar o azeite e todas as especiarias, em lume brando, deixando que estas libertem os seus aromas. Depois, adicionar a cebola picada e, quando esta estiver translúcida, acrescentar o leite de côco e os legumes. Idealmente, devem-se ir colocando os legumes consoante o seu tempo de cozedura, isto é, primeiro os que demoram mais tempo a cozinhar e, por último, aqueles cujo cozimento é mais rápido. 
À parte, cortar amêndoas em tiras e frigir num pouco de óleo de côco com umas pedrinhas de flor de sal.

Empratamento
Colocar o caril no prato, polvilhar com as amêndoas,  o cebolinho picado e o sumo de limão. Servir de imediato.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ZONA DE CONTACTO



Olho para isto e já sei quem é banhista. Há sítios do penedo que não interessam nada e outros que interessam muito. As pessoas que estão colocadas junto às beiras importantes são os pescadores daqui (João, 23-7-2012)

O banhista anda de fato de banho, pede emprestado um balde de plástico colorido aos filhos, pisa hesitante as reentrâncias das rochas e convence-se que conseguirá apanhar um polvo para o almoço. Dificilmente. Os daqui levam o arsenal tecnológico rudimentar mas eficiente que guardam em casa: o bicheiro, a cana da Índia, o raifol, o cofe, a nassa, a arrilhada e a picadeira, os iscos e mais o que acharem necessário. Calções de ganga, tronco descoberto, alguns de bota-calça. Os mais novos, e mais afoitos, adotaram o equipamento dos surfistas e arriscam-se, com barbatanas, mar adentro, nas rochas  mais distantes da pancada do mar onde o mexilhão grande se encontra.
Já é assim há muitos anos: os banhistas produzem considerações estéticas sobre a paisagem marítima e os pescadores equacionam, sustentados na experiência, essa paisagem enquanto exercício de pesca. Enquanto uns veem águas calmas para se banharem, outros procuram pitronglas, barbachos, safios, robalos, mexilhão, camarão, caranguejo, polvo, percebes, ouriços e minhocas. Diferentes modalidades de apreciação da paisagem.
Cruzam-se uns e outros no penedo, de Buarcos à praia da Murtinheira, os banhistas de olhos postos nos pescadores, os pescadores de olhos postos nas beiras. E há também os pescadores que vêm de fora e que são híbridos na relação com o mar e com o penedo: banham-se e pescam.
No penedo, esse território fluído, por força das marés que ora o alagam, ora o descobrem. Que ganhou nomes de terra, como as Pombas, porção de rochas que foi buscar a designação a um casal agrícola situado em terra. 


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

sábado, 25 de agosto de 2012

DO SAL

Hoje à tarde, nova visita ao Núcleo Museológico do Sal. Para mostrar à família de cá, e à que está de visita , as coisas do sal, das salineiras e dos marnotos.


Aproveitou-se, também, para uma incursão aos campos de salicórnia. Colheram-se alguns pedaços para temperar as batatas à moda da minha avó Susana que vão ser feitas agora para o jantar.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MORRACEIRO?

Não sei. Faltando-me o Sr. Manuel Paurrinhas, faltam-me as certezas se aquela areia esfarelenta em forma de milhentos tubos e misturada com os limos é ou não o morraceiro.  Serão estas as colmeias de areia feitas pelas minhocas que os homens do penedo apanham para usar como isco e que o Sr. Manuel me referiu?

Isto aqui nos penedos cria-se uma lama nas rochas, aquelas mais lisas, cria um morraceiro. A gente esfarrapa o morraceiro e dá daquelas minhocas grandes (Manuel Paurrinhas, 26-7-2012).


Quando estive no Núcleo Museológico do Sal a aprender a fazer o cofinho das enguias falaram-me da Ilha da Morraceira e eu, que andava às voltas com o termo morraceiro, aproveitei para pedir mais informação a quem sabia. 
A Prof. Filomena Martins explicou-me que: "o conceito de morraça estará associado a áreas húmidas (alagadiças) tanto costeiras e estuarinas como pantanosas. Mesmo no caso da referência ao habitat da spartina marítima (morraça), como sendo de areias marítimas, pode estar associada aos espaços interdunares que, com alguma frequência, podem ser ocasionalmente alagados. A morraça está igualmente associada a algas (moliço – conjunto de diferentes tipos de algas de fundos siltosos e silto-arenosos) e a uma mistura de silt (material muito fino com componentes orgânica e minerais) com matéria vegetal (estrume vegetal)". 



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

COSTURAR PRESENTES


Hoje, com a preciosa ajuda da Guida, e a partir deste modelo.


sábado, 18 de agosto de 2012

AS COMIDAS DA SAFRA

Lá estavam, junto ao armazém de sal do Sr. António, as sardinhas com azeite e vinagre e as batatas assadas na grelha a lembrar o que se comia em dia de safra. E as cestas com as rodilhas (também chamadas de sogras) prontas para serem usadas pelos participantes desta safra à antiga organizada pelo Núcleo Museológico do Sal.


A merenda da manhã teve petiscos variados trazidos pelos participantes. Depois de algumas hesitações (andei a oscilar entre os brigadeiros com flor de sal e os muffins com alecrim, azeitonas e queijo), acabei por optar por uma via mais tradicional e fiz as broas de batata cuja receita me tinha sido passada na véspera pela D. Aida. Na noite de sexta-feira, tripliquei a receita base e acabei a amassar, à mão, mais de oito quilos de massa. E a falta que me fez um forno a lenha para cozer tudo de uma vez! Mas valeu a pena que ficaram bem gostosas. E aprovadas pela D. Aida.  


Terminada a safra, e enquanto o Rancho Etnográfico de Lavos atuava, andaram as mulheres, como antigamente, a distribuir as freiras. As freiras são as pipocas que os marnotos davam no final da faina. Como não havia dinheiro para o azeite e o óleo não se usava, colocava-se no fundo do tacho um pouco de areia para os grão de milho não queimarem. Depois, tinha de se passar as freiras pelo crivo para as separar da areia. Eram servidas com talhadas de melão para refrescar as bocas.


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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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