sábado, 8 de setembro de 2012

BORRACHINHOS



Mas primeiro eram borrachões. Na Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lourdes Modesto, a receita dos Borrachões, da Beira Baixa, serviu de inspiração para uma alucinação completa em torno da aguardente de mel do Caramulo e do hidromel de Melgaço que havia cá por casa e que nunca tinham tido serventia. Fizeram-se algumas adaptações e saíram borrachinhos do forno. 

Ingredientes
2,5 dl de hidromel e aguardente de mel (em partes iguais)
2,5 dl de azeite de boa qualidade
2,5 dl de açúcar amarelo e mel de eucalipto (usei cerca de 2 dl de açúcar e 0,5 dl de mel)
farinha qb
açúcar branco e canela para polvilhar

Preparação
Misturar o hidromel, a aguardente de mel e o azeite e mexer bem. Juntar o açúcar e o mel e envolver no líquido. De seguida, juntar farinha suficiente para amassar. A receita original refere que se deve juntar farinha qb para tender a massa. A minha ficou bem mais líquida (não tinha farinha suficiente em casa...) de modo que usei uma colher para deitar no tabuleiro.
Polvilhar com o açúcar branco e a canela e levar a forno bem quente (220º) por 15 minutos. Gosto dos bolos pouco cozidos, por isso, os 15 minutos foram suficientes.

Apesar das quantidades pornográficas de álcool que esta receita leva, os borrachinhos devem ser comidos com delicadeza. Nada de ferradelas insensíveis, vis e torpes. Não. Há que aplicar dentadinhas suaves, doces e meigas. Mesmo que se tenha muito apetite.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

TABUA-LARGA

O Mário teve a gentileza e a generosidade de me enviar estas espigas Tábua-larga Tabua-larga. Por agora, vão estar com os caules mergulhados em água até as sementes começarem a cair. Nessa altura, terei de escolher um local no quintal, suficientemente húmido, para as plantar. 
Quando as mostrei à minha mãe, ela recordou-se que em Castelo Branco, onde viveu muitos anos, era planta que abundava. Contudo, parece que em casa da minha avó só as usavam para arranjos florais e não para comer.
Mas foi a possibilidade de comer os rebentos crus, ou cozidos como os espargos, que me conquistou! Agora é ter paciência e esperar que a natureza siga o seu curso....


terça-feira, 4 de setembro de 2012

BEBINCA DE LEITE DE MACAU

No livro A Viagem dos Sabores, Rui Rocha resgata algumas receitas do património familiar da diáspora portuguesa. Uma das receitas é esta bebinca de leite de Macau, muito distante da versão goesa, feita de camadas. É mais rápida de se fazer, mas igualmente saborosa. Antes de me aventurar na bebinca de Goa é bem provável que experimente primeiro a Bibingka de Nyami Bengaler, de Malaca.


A receita que apresento de seguida é a cópia integral daquela que aparece no livro de Rui Rocha. A azul, entre parêntesis, seguem algumas indicações relativas a alterações ou adaptações que fiz, assim como algumas notas.

Ingredientes
8 gemas
100 gramas de fécula de milho (vulgo, maizena)
125 gramas de açúcar
1 côco 
1 lata de leite condensado
125 gramas de manteiga

Preparação
Rale o côco e escalde com 5 chávenas de água para extrair o leite (Não é fácil arranjar côcos em Portugal, ter habilidade para os partir sem escavacar o chão da cozinha e conseguir extrair a polpa de forma eficiente. Optei por fazer a receita caseira de leite de côco que sempre faço garantindo que no final tinha, de facto, a 5 chávenas de leite de côco).
Dilua a fécula no leite, junte o leite condensado, o açúcar e as gemas desfeitas. Misture bem, passe por uma peneira e leve ao lume brando, mexendo sempre.
Quando estiver quase a ferver, acrescente a manteiga em bocadinhos.
Deite numa forma humedecida e deixe esfriar antes de meter no frigorífico (Não solidificou. Também não sei se era suposto. O melhor mesmo é colocar logo em tacinhas individuais ou numa taça grande)


Considerações sobre o sabor. É muito bom, suave e com uma textura sedosa. Optei por servir com mirtilos porque gosto do contraste da acidez do fruto com a doçura da bebinca. Para puristas, o melhor é servir simples.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

BATIDO DE MELÃO


A receita original, feita cá em casa, usa iogurte natural e mel e serve para dar destino aos melões cuja insipidez só se descobre quando são cortados. Utilizei o leite de côco que tinha sobrado da carilada de legumes e adicionei uma colher de mel. Mas também pode ser feito com leite de amêndoa. 


sábado, 1 de setembro de 2012

CARIL DE LEGUMES


No livro A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses, de José Ferrão, a entrada relativa à curcuma refere a sua utilização, para além da esfera culinária, no tingimento dos panos. Também eu, no tempo em que fazia a minha investigação de mestrado junto dos devotos de Krishna em Lisboa, testei as propriedades corantes da curcuma. Pouco sucesso. Com o tempo e as lavagens perdem os panos a sua cor.
Os rizomas secos da Curcuma longa L. ficaram também conhecidos como açafrão da terra (por oposição ao açafrão da Índia, isto é, ao Crocus sativus L.) ao qual os persas, tal como indica Rui Rocha no livro A viagem dos sabores, chamavam darzard (pau amarelo).

Ingredientes
Azeite
Curcuma
Cominhos
Canela em pó
Piri-piri
Sal marinho
Cebola
Leite de côco
Legumes variados (usou-se couves, feijão verde, beringela, courgete, cenoura e alho francês)
Amêndoas
Óleo de côco
Flor de sal
Cebolinho
Sumo de limão

Preparação
Num tacho largo colocar o azeite e todas as especiarias, em lume brando, deixando que estas libertem os seus aromas. Depois, adicionar a cebola picada e, quando esta estiver translúcida, acrescentar o leite de côco e os legumes. Idealmente, devem-se ir colocando os legumes consoante o seu tempo de cozedura, isto é, primeiro os que demoram mais tempo a cozinhar e, por último, aqueles cujo cozimento é mais rápido. 
À parte, cortar amêndoas em tiras e frigir num pouco de óleo de côco com umas pedrinhas de flor de sal.

Empratamento
Colocar o caril no prato, polvilhar com as amêndoas,  o cebolinho picado e o sumo de limão. Servir de imediato.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ZONA DE CONTACTO



Olho para isto e já sei quem é banhista. Há sítios do penedo que não interessam nada e outros que interessam muito. As pessoas que estão colocadas junto às beiras importantes são os pescadores daqui (João, 23-7-2012)

O banhista anda de fato de banho, pede emprestado um balde de plástico colorido aos filhos, pisa hesitante as reentrâncias das rochas e convence-se que conseguirá apanhar um polvo para o almoço. Dificilmente. Os daqui levam o arsenal tecnológico rudimentar mas eficiente que guardam em casa: o bicheiro, a cana da Índia, o raifol, o cofe, a nassa, a arrilhada e a picadeira, os iscos e mais o que acharem necessário. Calções de ganga, tronco descoberto, alguns de bota-calça. Os mais novos, e mais afoitos, adotaram o equipamento dos surfistas e arriscam-se, com barbatanas, mar adentro, nas rochas  mais distantes da pancada do mar onde o mexilhão grande se encontra.
Já é assim há muitos anos: os banhistas produzem considerações estéticas sobre a paisagem marítima e os pescadores equacionam, sustentados na experiência, essa paisagem enquanto exercício de pesca. Enquanto uns veem águas calmas para se banharem, outros procuram pitronglas, barbachos, safios, robalos, mexilhão, camarão, caranguejo, polvo, percebes, ouriços e minhocas. Diferentes modalidades de apreciação da paisagem.
Cruzam-se uns e outros no penedo, de Buarcos à praia da Murtinheira, os banhistas de olhos postos nos pescadores, os pescadores de olhos postos nas beiras. E há também os pescadores que vêm de fora e que são híbridos na relação com o mar e com o penedo: banham-se e pescam.
No penedo, esse território fluído, por força das marés que ora o alagam, ora o descobrem. Que ganhou nomes de terra, como as Pombas, porção de rochas que foi buscar a designação a um casal agrícola situado em terra. 


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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