terça-feira, 18 de setembro de 2012

CAIS DA MEMÓRIA II


Depois de termos passado a manhã a trabalhar nos estatutos da Associação, a Guida e eu fomos ao CAE - Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz - ver a exposição Cais da Memória II- O Porto da Figueira da Foz e a cidade revisitados em fotos de outros tempos.
As fotografias pertencem ao Arquivo Histórico-Documental do Porto da Figueira da Foz e podem ser visualizadas no site do Arquivo do Porto de Aveiro.
Desconhecendo se este lote de 158 fotografias totaliza as que o Arquivo Histórico-Documental do Porto da Figueira da Foz dispõe para o período em questão (1941-1956), não vou tecer considerações sobre os descritores escolhidos para estruturar a exposição. 
Mas questiono os critérios (houve critérios?) para, de cada conjunto, destacar umas fotografias em detrimento de outras e, sobretudo, a ausência de informação que contextualizasse as imagens para além das legendas, claramente insuficientes.
O facto de terem escrito "enceada" na legenda de um dos descritores, repetindo o erro no folheto, também não ajudou.

sábado, 15 de setembro de 2012

MAU FEITIO


Não é sociável com pessoas e não gosta dos outros cães, com exceção da Pipoca e do Ferrão, o cão dos Bombeiros Municipais. É a Seara, a outra cadela que trouxe do Barroso há quatro meses. Cruzámo-nos uma manhã quando, no habitual passeio matinal com a Pipoca (e todos os outros cães da vizinhança que vinham atrás de nós) pelas margens da Barragem dos Pisões, em Penedones, a encontrei no meio do mato. Tentou morder-me e aos outros cães. Na manhã seguinte, encontrei-a novamente. Veio atrás de mim e, a cada passo, tentava abocanhar-me os tornozelos, desta vez sem agressividade. Acompanhou-me até casa e engoliu uma bacia de comida. Ao fim de alguns dias a ser alimentada, passou a pedir para entrar em casa, mas depois tinha medo de cruzar a porta. As noites eram um gelo e coloquei-lhe uma caixa de cartão no exterior para ela ficar mais confortável. Uma noite, ganhou coragem e passou a dormir na sala. Era agressiva com todas as pessoas que se aproximavam, ladrando mas fugindo sempre. Levei-a ao veterinário e dei-lhe nome. O nome de uma das aldeias do Barroso onde não me importava de viver. No dia em que me vim embora lá de cima, passei uma manhã inteira a tentar apanhá-la para a trazer. Não consegui. Foi um desespero. Deixei um saco de comida que daria para alimentá-la até eu voltar dali a 15 dias. A Sofia, que tomava conta das casas de Penedones, deu-lhe comida todos os dias. Mas não a podia proteger da neve que caiu durante esse tempo. No dia em que voltei a Penedones, para terminar o projeto, ia convencida que a Seara já não existia. Pelo frio ou pela canalhice dos vizinhos que lhe atiravam paus e pedras. Mas ela estava lá. Mordeu-me as mãos e os braços quando me viu. E entrou em casa à noite para dormir, mais depressa do que se eu lhe tivesse mostrado um bife. E, dessa vez, consegui trazê-la.
Veio doente. Entre vomitados, diarreias com sangue e perda quase total de pêlo, eu convenci-me que não se safava. Alimentava-se deitada e tinha que lhe meter a comida na boca. Se conseguisse enfiar-lhe duas colheres de sopa de carne já me dava por satisfeita. Andou assim uma semana. Até que, um dia, desatou a comer como um alarve. 
Nas primeiras semanas não aceitava festas e olhava-nos com um ar de facínora. Depois, quando estava frustrada ou contente, invariavelmente, mordia-me as pernas e os braços. Colecionei nódoas negras.  
Não sei em que dia se deu a mudança. Mas, inesperadamente, passou a aceitar festas, a dar lambidelas, mudou a forma de nos olhar, passou a brincar. Ganhou confiança. Continua a ter mau feitio. Mas os muitos mimos que recebeu (e continua a receber) devem ter feito a diferença.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

PARA CENAS RADICAIS


É a minha primeira compacta digital. E o mais difícil tem sido mesmo habituar-me a segurá-la. Estou acostumada a ter outro peso nas mãos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

PATÊ DE AZEITONAS E SEMENTES DE ABÓBORA

A senhora que no mercado municipal me vendeu as azeitonas, e que é a mesma que me costuma vender os frutos secos, é de Maiorca. Diz que, por lá, as comidas tradicionais são o cozido à portuguesa e o ensopado de enguias. Que pão e broa é mais das Alhadas e de Brenha.  Como ainda me sobra broa de Brenha, e nem sempre me apetece tostá-la, regá-la de azeite e salpicá-la de alho picado, optei por fazer este patê de azeitonas e sementes de abóbora. É coisa intensa para ser comida por gente crescida.


Ingredientes
200grs de azeitonas descaroçadas
200 grs de sementes de abóbora demolhadas de véspera
2 dentes de alho
4 colheres de sopa de azeite
4 colheres de sopa de água
sumo de 1 limão
flor de sal qb
ervas aromáticas variadas (usei cebolinho e manjericão)

Preparação
Triturar tudo e retificar os temperos. Pode servir para barrar pão, broa, tostas ou mesmo para temperar saladas de grão.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ARROZ BUTANÊS ;)

E eis que aterra na minha caixa do correio uma embalagem de arroz vermelho. Havia que lhe dar destino, ainda que fosse ingrediente completamente desconhecido. A última vez que dissertei sobre arrozes foi num curso de Técnicas de Voz e Comportamento (naturalmente para pessoas mal comportadas) que fiz há muitos anos com a Glória de Matos. Na altura, escapou-me este. 

Factos
Colocar o arroz de molho (deixei de véspera). Cozer em bastante água, temperada com sal, e escorrer. Numa frigideira saltear amêndoa lascada em óleo de côco e flor de sal. Reservar.
Saltear o arroz em óleo de côco com uma pitada de açafrão. Numa travessa dispor o arroz, a amêndoa lascada e ervas aromáticas variadas (coentros, cebolinho, manjericão). Servir com gomos de limão que se devem espremer sobre o arroz para equilibrar o sabor adocicado da amêndoa. Bom para acompanhar legumes assados no forno (beringela, courgete, tomate, batata doce).



sábado, 8 de setembro de 2012

BORRACHINHOS



Mas primeiro eram borrachões. Na Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lourdes Modesto, a receita dos Borrachões, da Beira Baixa, serviu de inspiração para uma alucinação completa em torno da aguardente de mel do Caramulo e do hidromel de Melgaço que havia cá por casa e que nunca tinham tido serventia. Fizeram-se algumas adaptações e saíram borrachinhos do forno. 

Ingredientes
2,5 dl de hidromel e aguardente de mel (em partes iguais)
2,5 dl de azeite de boa qualidade
2,5 dl de açúcar amarelo e mel de eucalipto (usei cerca de 2 dl de açúcar e 0,5 dl de mel)
farinha qb
açúcar branco e canela para polvilhar

Preparação
Misturar o hidromel, a aguardente de mel e o azeite e mexer bem. Juntar o açúcar e o mel e envolver no líquido. De seguida, juntar farinha suficiente para amassar. A receita original refere que se deve juntar farinha qb para tender a massa. A minha ficou bem mais líquida (não tinha farinha suficiente em casa...) de modo que usei uma colher para deitar no tabuleiro.
Polvilhar com o açúcar branco e a canela e levar a forno bem quente (220º) por 15 minutos. Gosto dos bolos pouco cozidos, por isso, os 15 minutos foram suficientes.

Apesar das quantidades pornográficas de álcool que esta receita leva, os borrachinhos devem ser comidos com delicadeza. Nada de ferradelas insensíveis, vis e torpes. Não. Há que aplicar dentadinhas suaves, doces e meigas. Mesmo que se tenha muito apetite.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

TABUA-LARGA

O Mário teve a gentileza e a generosidade de me enviar estas espigas Tábua-larga Tabua-larga. Por agora, vão estar com os caules mergulhados em água até as sementes começarem a cair. Nessa altura, terei de escolher um local no quintal, suficientemente húmido, para as plantar. 
Quando as mostrei à minha mãe, ela recordou-se que em Castelo Branco, onde viveu muitos anos, era planta que abundava. Contudo, parece que em casa da minha avó só as usavam para arranjos florais e não para comer.
Mas foi a possibilidade de comer os rebentos crus, ou cozidos como os espargos, que me conquistou! Agora é ter paciência e esperar que a natureza siga o seu curso....


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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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