domingo, 24 de fevereiro de 2013

AS MÃOS DA D. BENTA


Faz meias desde os 6 anos. Meias, caturnos e meiotes. De olhos fechados, quando a noite já vai longa e o cansaço vence, ou num andar apressado, enquanto guarda as ovelhas bravas e meirinhas do seu rebanho. Ontem, num serão de muitas horas, mostrou-me como se faziam os feitios de antigamente logo abaixo do elástico. As minhas meias azuis estão a ficar lindas :) 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CURAR O POTE


Antes de cozinhar no pote (ou tingir lãs) há que curá-lo. Uma mistura de unto, cinza e água a ferver durante muitas horas raramente é suficiente. A segunda etapa passa por ferver cascas de batata, cenoura, nabo e talos de couve outras tantas horas. Mas há quem prefira, depois da primeira cozedura, usar leite. O meu, aqui em primeira ebulição, ainda só vai a meio da cura...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

TOMENTOS, ESTOPA, LINHO


Tomentos, estopa e linho. Fio e pano. Saídos das mãos da D. Lúcia, de Beçós, tecedeira do Barroso. Diretamente para o primeiro núcleo da exposição.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A CAPA

(talhar o carapuço) 

Quando andava a fazer isto lá em cima, cruzei-me com o sr. Albino, alfaiate de profissão. Melhor dito: alfaiate na reforma. À falta de burel artesanal, encomendei-o na Ecolã e combinámos uma tarde  para se fazer o registo da criação de uma capa. Por circunstâncias várias, à época, não foi possível concretizar os planos. Mas, um ano depois, tenho duas capas de burel saídas das mãos do sr. Albino :)
Uma tarde a ver fazer uma capa. Começou-se por talhar os três panos a partir de uma outra capa: o carapuço - que por lá também se chama, entre outros nomes, o crucho - o pano central e a emenda, isto é , o pano inferior que  confere roda à peça. Depois, foi ver a mestria das mãos do sr. Albino em ação. Em menos de duas horas a capa estava feita!

 (medir a largura da peça para cortar o debrum)

(talhar o feitio do debrum)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

URZE


Há um ano, quando a D. Benta me falou do tingimento da lã com os musgos, registei a informação, mas o projeto que estava a desenvolver não contemplava essa temática. Agora, com esta exposição, pude voltar a um tema que, assim de repente e para uma pessoa que durante tantos anos só via comida na frente, me suscitou um interesse inesperado.
Os musgos do carvalho e do castanheiro já foram colhidos e a urze - agora reduzida a trochinhos - para forrar o fundo do pote, também. Mas antes do tingimento, ainda tenho de cozer o pote com unto, cinza, areia e água. Coisa para acontecer por cá nos próximos dias...


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

DO TERRENO



Ontem à tarde, ver a D. Benta fiar e falar sobre tingimento de lãs, e também sobre meias, caturnos e meiotes.  Socos abertos e fechados, socas de meia peça e peça inteira. E sobre o feno que se botava no calçado para quem não tinha lã suficiente para cobrir os pés. À noite, continuar a aprender a tricotar meias com a D. Rosinha. Hoje de manhã, voltar ao rebanho da D. Benta.


Depois, fomos as duas em busca dos musgos dos carvalhos e dos castanheiros. Ainda havia pedaços de neve escondidos nas sombras da vegetação. De caminho, vieram urzes para uma vassoura e para as agulhas.


Para terminar o dia, conversa com a D. Agostinha e a D. Conceição. Começámos a selecionar as peças para a exposição. Os próximos dias vão ser ainda mais preenchidos.


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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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