quinta-feira, 7 de março de 2013

TRAJE DE NOIVA



Esta é a fotografia do casamento dos avós paternos da D. Benta. Ouvi falar dela há ano e meio, vi-a em casa de uma das irmãs da D. Benta mas, na altura, não me foi possível fotografá-la. Porque para fotografar uma fotografia destas é preciso tempo para conversar. E para tirar a fotografia da moldura e poder fotografá-la sem os reflexos do vidro a atrapalharem.
Desta última vez em Barroso, houve tempo. E a habitual generosidade dos familiares da D. Benta que me ajudam sempre que preciso. A fotografia é de 1905. Irene Gonçalves Pereira Capelo tinha só 17 anos. Manuel Tomás Dias Pereira era 20 anos mais velho. D. Irene criou filhos e muitos netos. Foi ela que ensinou D. Benta e demais netas a fazer meia e a tingir os fios de lã com aquilo que a natureza dava. 
O traje de noiva perdeu-se no tempo e dele, hoje, só restam as memórias uma e outra vez resgatadas de cada vez que as netas e os netos falam na mãezinha

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DESPONTAR


Apesar do frio, as sementes vingaram. Há linho a crescer na minha varanda :) E é pura coincidência que a flor do linho seja azul e as minhas primeiras meias também...


domingo, 24 de fevereiro de 2013

AS MÃOS DA D. BENTA


Faz meias desde os 6 anos. Meias, caturnos e meiotes. De olhos fechados, quando a noite já vai longa e o cansaço vence, ou num andar apressado, enquanto guarda as ovelhas bravas e meirinhas do seu rebanho. Ontem, num serão de muitas horas, mostrou-me como se faziam os feitios de antigamente logo abaixo do elástico. As minhas meias azuis estão a ficar lindas :) 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CURAR O POTE


Antes de cozinhar no pote (ou tingir lãs) há que curá-lo. Uma mistura de unto, cinza e água a ferver durante muitas horas raramente é suficiente. A segunda etapa passa por ferver cascas de batata, cenoura, nabo e talos de couve outras tantas horas. Mas há quem prefira, depois da primeira cozedura, usar leite. O meu, aqui em primeira ebulição, ainda só vai a meio da cura...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

TOMENTOS, ESTOPA, LINHO


Tomentos, estopa e linho. Fio e pano. Saídos das mãos da D. Lúcia, de Beçós, tecedeira do Barroso. Diretamente para o primeiro núcleo da exposição.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A CAPA

(talhar o carapuço) 

Quando andava a fazer isto lá em cima, cruzei-me com o sr. Albino, alfaiate de profissão. Melhor dito: alfaiate na reforma. À falta de burel artesanal, encomendei-o na Ecolã e combinámos uma tarde  para se fazer o registo da criação de uma capa. Por circunstâncias várias, à época, não foi possível concretizar os planos. Mas, um ano depois, tenho duas capas de burel saídas das mãos do sr. Albino :)
Uma tarde a ver fazer uma capa. Começou-se por talhar os três panos a partir de uma outra capa: o carapuço - que por lá também se chama, entre outros nomes, o crucho - o pano central e a emenda, isto é , o pano inferior que  confere roda à peça. Depois, foi ver a mestria das mãos do sr. Albino em ação. Em menos de duas horas a capa estava feita!

 (medir a largura da peça para cortar o debrum)

(talhar o feitio do debrum)

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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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