segunda-feira, 11 de março de 2013

MUITAS CAPAS


Muitas capas de burel, muitas formas de as talhar. Muitos buréis apisoados de modos distintos. As fotografias pertencem a Benjamin Pereira e fazem parte do acervo fotográfico   que pode ser visto na Casa do Capitão (Ecomuseu de Barroso) em Salto, Montalegre.
A fotografia de cima foi tirada em Travassos do Rio e, a de baixo, na Reboreda, a terra dos alfaiates, como é ainda hoje chamada pelos seus habitantes. 
Diz a D. Benta que para se fazer uma capa de burel são precisas três ovelhas bravas castanhas. Diz o sr. Francisco de Tabuadela, filho do último pisoeiro da aldeia, que para se fazer uma capa de burel são necessárias três varas de burel. 
Três ovelhas e três varas nas contas que se faziam para tapar o corpo do frio.


quinta-feira, 7 de março de 2013

TRAJE DE NOIVA



Esta é a fotografia do casamento dos avós paternos da D. Benta. Ouvi falar dela há ano e meio, vi-a em casa de uma das irmãs da D. Benta mas, na altura, não me foi possível fotografá-la. Porque para fotografar uma fotografia destas é preciso tempo para conversar. E para tirar a fotografia da moldura e poder fotografá-la sem os reflexos do vidro a atrapalharem.
Desta última vez em Barroso, houve tempo. E a habitual generosidade dos familiares da D. Benta que me ajudam sempre que preciso. A fotografia é de 1905. Irene Gonçalves Pereira Capelo tinha só 17 anos. Manuel Tomás Dias Pereira era 20 anos mais velho. D. Irene criou filhos e muitos netos. Foi ela que ensinou D. Benta e demais netas a fazer meia e a tingir os fios de lã com aquilo que a natureza dava. 
O traje de noiva perdeu-se no tempo e dele, hoje, só restam as memórias uma e outra vez resgatadas de cada vez que as netas e os netos falam na mãezinha

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DESPONTAR


Apesar do frio, as sementes vingaram. Há linho a crescer na minha varanda :) E é pura coincidência que a flor do linho seja azul e as minhas primeiras meias também...


domingo, 24 de fevereiro de 2013

AS MÃOS DA D. BENTA


Faz meias desde os 6 anos. Meias, caturnos e meiotes. De olhos fechados, quando a noite já vai longa e o cansaço vence, ou num andar apressado, enquanto guarda as ovelhas bravas e meirinhas do seu rebanho. Ontem, num serão de muitas horas, mostrou-me como se faziam os feitios de antigamente logo abaixo do elástico. As minhas meias azuis estão a ficar lindas :) 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CURAR O POTE


Antes de cozinhar no pote (ou tingir lãs) há que curá-lo. Uma mistura de unto, cinza e água a ferver durante muitas horas raramente é suficiente. A segunda etapa passa por ferver cascas de batata, cenoura, nabo e talos de couve outras tantas horas. Mas há quem prefira, depois da primeira cozedura, usar leite. O meu, aqui em primeira ebulição, ainda só vai a meio da cura...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

TOMENTOS, ESTOPA, LINHO


Tomentos, estopa e linho. Fio e pano. Saídos das mãos da D. Lúcia, de Beçós, tecedeira do Barroso. Diretamente para o primeiro núcleo da exposição.

Acerca de mim

A minha foto
Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
Instagram

Seguidores