sábado, 17 de maio de 2014

POLPA DE AMÊNDOA

Quem bebe leite de amêndoas caseiro (ou outro leite à base de frutos secos como as nozes, as avelãs ou os cajus) sabe que, depois do leite feito, sobra polpa. Muita polpa. Polpa que, frequentemente, acaba no lixo. Essa heresia chegou ao fim :) 
Bom, antes de mais convém esclarecer que as características da polpa obtida no processo de produção de leite de amêndoas dependem do equipamento de cozinha disponível (potência do robot de cozinha) e dos procedimentos seguidos para coar o leite. Equipamentos mais robustos e com lâminas mais afiadas são mais eficientes e permitem obter uma polpa mais fina. Por outro lado, o modo como se coa o leite também pode ter resultados mais ou menos eficazes. Usar um passador chinês ou um escorredor normal deixará passar parte da polpa (sobretudo se esta estiver bastante triturada) juntamente com o líquido. O ideal é usar um saco em étamine. Retém a totalidade  da polpa e o líquido é integralmente aproveitado.


Desta vez, optei por usar a polpa de amêndoa para fazer bolinhos crudívoros (a versão dos crackers salgados fica para a próxima semana) com tâmaras e canela.

Ingredientes
Polpa de amêndoa resultante de 3 chávenas de amêndoas (medida aferida antes das amêndoas serem demolhadas, descascadas e trituradas)
9 tâmaras medjool
1/3 de chávena de óleo de coco
1/2 colher de café de flor de sal
1 colher de café de canela em pó
pepitas de cacau qb (opcional)

Preparação
Num robot de cozinha deitar todos os ingredientes e triturar até obter uma pasta completamente homogénea. Retirar a pasta e moldar pequenas bolinhas. Levar ao frigorífico para solidificar (o óleo de coco contido na pasta vai permitir endurecer o preparado). Quando as bolinhas já estiverem firmes, espetar algumas pepitas de cacau


É importante guardar a polpa de amêndoa no frigorífico enquanto esta não é usada. Por outro lado, as bolinhas devem ser mantidas refrigeradas, não apenas para se manterem firmes, como também para não se degradarem (sobretudo agora que o tempo aqueceu).  Bom, na verdade, estas bolinhas crudívoras não duram muito tempo...comem-se depressa :)


sábado, 10 de maio de 2014

A JÓIA DA COROA

É suposto as sobremesas fazerem as pessoas felizes. Felizes e sem dores de barriga. O que  é normalmente o que me acontece quando me oferecem uma sobremesa conventual e eu não me contento com uma colherzinha. Ora, dores de barriga é coisa que não tenho quando as sobremesas são crudívoras. Nem dores de barriga, nem picos de glicémia. Nem enfartamentos.
Com o frigorífico cheio de mangas trazidas da Figueira (dito desta forma até parece que a cidade se situa no paralelo 23) decidi dar-lhes destino mais elaborado que um simples batido apresentado num frasco de compota com uma palhinha multicolor e fazer um bolo de manga crudívoro. 
As mangas eram sumarentas, embora algo fibrosas, e muito, muito doces (anos e anos de selecção das variedades mais doces dá sempre nisto). Optei pela receita habitual do registo crudívoro: uma base de frutos secos e uma cobertura de fruta fresca. Creio que a grande questão/desafio deste tipo de sobremesas  - pelo uso da fruta e do óleo de coco - reside no facto da cobertura precisar de congelar previamente para, posteriormente, poder ser servida a uma temperatura não propriamente negativa.
Se, por um lado, a fruta crua torna o bolo muito húmido (problema agravado pela percentagem de água contida em cada tipo de fruta), é o óleo de coco que permite, se a temperatura não for alta, manter a consistência da cobertura. Basta observar o que acontece num frasco de óleo de coco quando está frio e quando está calor. Derrete-se quando sobe a temperatura e torna-se uma pedra quando chega o tempo frio.
As quantidades de manga e dos restantes ingredientes da cobertura que indico na receita representam metade do que efectivamente usei. O que significa que a cobertura não vos vai ficar tão alta como sucede na fotografia. Creio que o bolo funciona melhor (tira-se mais facilmente da forma, corta-se mais facilmente e não precisa de tanto tempo fora do congelador) se usarem metade das quantidades que utilizei.
Atenção, também, à qualidade dos ingredientes: óleo de coco refinado não é propriamente a coisa mais saudável do mundo. Convém optar por uma variedade orgânica e virgem. Costumo comprar este, simplesmente porque é o que encontro com mais facilidade perto de casa.




Receita

Ingredientes (para uma forma rectangular com cerca de 28 cm de comprimento)

Para a base
300 grs de amêndoa pelada
300 grs de tâmaras medjool
1 pitada de flor de sal

Para a cobertura
80 grs de banana congelada
500 grs de manga fresca descascada
1/2 vagem de baunilha
60 grs de óleo de coco


Preparação
Forrar uma forma com película anti-aderente de modo a que a mesma fique sempre acima do nível da cobertura do bolo e cubra as bordas da forma.
Para a base, triturar todos os ingredientes até obter uma mistura homogénea mas com alguma textura. Despejar na forma e calcar até o preparado ficar bem acondicionado.
Para a cobertura, raspar a vagem de baunilha e adicionar aos restantes ingredientes. Triturar até obter uma misturar totalmente uniforme.
Despejar na forma e levar ao congelador para solidificar. Retirar do congelador pelo menos meia hora antes de servir e usar uma faca aquecida em água bem quente para cortar as fatias.

terça-feira, 6 de maio de 2014

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Melhor presente possível e imaginário ;)

BASE DE BOLO DE CENOURA CRUDÍVORO

Desidratador e polpa de coco jovem (!) são duas coisas praticamente obrigatórias nas receitas de sobremesas de alguns dos livros de cozinha crudívora que tenho cá em casa. Desidratador ainda não há e polpa de coco jovem, bom, não estamos num país tropical e a oferta é limitada. Chato, chato, é quando se compra o coco e se descobre que não é assim tão fresco quanto se imaginava. 
Bom, mas há sempre possibilidade de se experimentarem outras receitas sem recorrer ao desidratador e à polpa de coco. Tenho andado a pesquisar sobre bases de bolos e esta, de cenoura, era uma das que mais queria testar. Simples, rápida e que pode funcionar como base de bolo (ainda tenho de testar coberturas adequadas) ou para fazer trufas.
Não exige ingredientes alienígenas (já é relativamente fácil comprar óleo de coco e tâmaras sem aquela cobertura odiosa de açúcar) e o resultado é francamente bom. E antes que me esqueça, um dos melhores blogues de sobremesas (e não só) crudívoras é este aqui.


Receita

Ingredientes
400 grs de cenouras
100 grs de avelãs
40 grs de farinha de coco
8 tâmaras medjool
40 grs de óleo de coco
1 pitada de cardamomo
1 pitada de noz moscada
flor de sal qb
1 colher de chá de canela em pó

Preparação
Num robot de cozinha (ou Bimby) triturar todos os ingredientes até obter uma mistura homogénea mas com textura.
Enrolar bolinhas e levar ao frigorífico até servir ou usar como base de bolo.


Esta massa não fica excessivamente doce. Pode-se aumentar a quantidade de tâmaras para obter um resultado mais intenso. Também se pode adicionar mais especiarias. As quantidades indicadas conferem um sabor muito subtil. E agora vou ali à cozinha testar outra base de banana, tâmaras e amêndoas.


domingo, 27 de abril de 2014

COMER, COMER

 Melhor iogurte português com framboesas e favos de mel.

 Dosas.

 Chutney de manga feito nas aulas de cozinha.

Ricota de kefir de Moscovo com cebolinho, malaguetas e zest de limão.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

HAMBURGUERS DE GRÃO DE BICO COM MOLHO DE MORANGO E MALAGUETA


Depois de, no sábado, ter ido almoçar a um restaurante vegetariano de Lisboa,  tinha pensado escrever sobre a aposta que alguns (muitos?) restaurantes do género fazem numa oferta alimentar fortemente suportada em duas coisas: seitan e soja (seja tofu ou PTS). Neste, em particular, era impossível comer sem ter uma das duas no prato. Ainda para mais porque a carta se restringe, para além da sopa, das bebidas e das sobremesas, a três pratos diários. Não vou discorrer sobre esta experiência em particular. Desconsola-me, no entanto, constatar que não se considere construir uma carta sem seitans e sem soja. Comparativamente, encontro opções muito mais interessantes em blogues vegetarianos nacionais. Não sei se nos outros países o panorama é semelhante. O último que visitei, em Copenhaga, era péssimo a todos os níveis: atendimento e comida. Tenho uma especial curiosidade em conhecer este, em Londres. Reparem no menu...sem seitan e sem tofu. Comprei, já há alguns anos, o livro que editaram e que está no top 5 dos meus livros de culinária vegetariana. Fica-se com vontade de fazer todas as receitas. Todas!

Há-de vir agora na bagagem para Lisboa. Esse, os do Kurma Dasa, mais este e mais este. Enquanto não os vou buscar, inventam-se mais umas receitas e adaptam-se outras que se vão aprendendo no curso. Desta vez decidi fazer hamburguers de grão de bico com molho de morango e malagueta. Um dos erros comuns ao se confeccionar hamburguers vegetarianos consiste em incorporar a cebola crua no preparado. Isto implica que o travo a cebola permanece no hamburguer depois de cozinhado. Mesmo que se goste muito de cebola, o resultado final fica comprometido. O mais correcto é fazer um puxado (refogado/estrugido) de modo a amenizar o sabor intenso quer da cebola, quer do alho. Não usei um dos ingredientes que aparece opcional na receita - as sementes de girassol - que conferem textura aos hamburguers, melhorando-os.
O molho de morango e malagueta foi adaptado de uma receita que aprendemos no curso. Substitui vinagre por sumo de limão e açúcar por mel. Diria que o resultado ficou melhor que a receita original.
Podem servir-se os hamburguers apenas com o molho agri-doce ou acompanhados de uma salada de alface, maçã e canónigos.


Hamburguers de grão de bico
Ingredientes
1 lata de grão de bico (das grandes)
1 cenoura picada grosseiramente
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 pedacinho de gengibre picado
1 raminho de manjericão
1 ovo
3 colheres de sopa de farinha de grão de bico
2 colheres de café de cominhos em pó
1 colher de café de cúrcuma
flor de sal qb
azeite qb
(opcional - 3 colheres de sopa de sementes de girassol tostadas)

Preparação
Fazer um puxado com o azeite, a cebola, os alhos, o gengibre e as especiarias. Reservar.
Numa taça, colocar o grão de bico escorrido e juntar o ovo batido, o manjericão, o puxado e suficiente farinha de grão de bico para a mistura se tornar moldável. Rectificar os temperos.
Levar ao frigorífico por 30 minutos (no mínimo).
Com as mãos untadas de azeite, moldar os hamburguers e dispô-los num tabuleiro untado com azeite. Levar ao frigorífico por 1 hora (no mínimo) para o preparado solidificar.
Numa frigideira anti aderente (de preferência de cerâmica) colocar um pouco de azeite e levar a lume baixo. Quando o azeite já tiver aquecido, dispôr os hamburguers. Deixar cozinhar até ficarem dourados de um lado e depois virar para cozinhar o outro lado.

Molho de morango e malagueta
Ingredientes
1 dl de água
1/2 dl de sumo de limão
2 colheres de sopa de mel
10 morangos
1/2 malagueta fresca (sem sementes e sem os veios interiores)
flor de sal qb

Preparação
Num tachinho colocar todos os ingredientes e levar a lume baixo até os morangos ficarem quase desfeitos e o líquido ter reduzido de volume. Triturar com a varinha mágica e voltar a colocar o preparado no lume apenas para ferver brevemente.

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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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