quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

SACOS DE RISCADO

Há uns tempos decidi dar destino aos retalhos, cortes e roupa desmanchada que acumulo lá em casa. Há panos para fazer lençóis de linho que a minha avó Jesuína me deu há mais de 30 anos, casacos de burel comprados há mais de 20 anos que já foram descosidos e estão prontos para novos destinos, amostras de tecidos que familiares, amigos e desconhecidos me foram dando e cortes que comprei mas aos quais ainda não dei forma. Trouxe para Lisboa meia dúzia dessas coisas e, entre o desconhecimento das técnicas mais básicas de costura (o que aliado a uma tendência incontornável para a distracção origina verdadeiras calamidades) e a vontade de fazer peças que tenham utilidade no dia a dia, vou dando destino aos panos.


Ontem, depois de ter lido este tutorial, optei por usar o que me restava de um pano de riscado (trazido de Cabeceiras de Basto) e fiz estes dois sacos para as compras de mercearia. Já tinha usado um pedaço para treinar costuras e fazer uma bolsinha onde levei, nestas férias, os utensílios necessários ao chamado picnic dentro do carro: saca rolhas, parte nozes descascador, facas e colheres. O tecido não é particularmente resistente (mais adequado para fazer camisas!), de modo que não suporta coisas tão pesadas quanto as laranjas da fotografia. Mas tem a vantagem de ser escuro e de não se notar a sujidade (sacos de compras em pano cru, nas minhas mãos, não funcionam).


Fiz, como não podia deixar de ser, algumas alterações ao modelo original, nomeadamente quanto ao posicionamento das alças. Um dos sacos fica comigo. O mais perfeitinho e maior vai directo para as mãos de uma amiga.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O AVENTAL DE COTIM E RISCADO

Comecei por seguir as indicações destes aventais da Purl Bee. Mas, no decurso do processo, decidi fazer algumas alterações ao modelo original. Inicialmente, tinha pensado usar um dos dois tecidos de riscado comprados em Cabeceiras de Basto com a D. Benta. Mas o tecido pareceu-me demasiado frágil (e eu gosto de aventais encorpados), de modo que usei o riscado para fazer a parte de trás do avental e também para o bolso da frente. Como tecido principal, usei o cotim (também comprado na companhia da D. Benta). Não sou muito adepta de aventais floridos (embora tenha um fraquinho por tecidos com estampados miudinhos de flores) e prefiro opções lisas com cores que nunca me cansam: brancos, beges, azuis e castanhos.


Nas retrosarias da Figueira não encontrei fitas tão largas quanto as que queria. Nem argolas. E eu tinha pressa de fazer este projecto. De modo que optei por usar a fita sobreposta (pespontei nos dois lados a todo o comprimento) o que lhe conferiu mais grossura e resistência e tive de desistir de prender as tiras do pescoço com as argolas.
Já está a uso! Agora só preciso de decidir o que fazer aos retalhos de cotim e riscado: sacos para mercearia ou pegas de cozinha....


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

VOLTAR À ALDEIA

No caminho de volta, uma passagem pelo Museu dos Lanifícios na Covilhã, e uma visita não programada à aldeia das Donas em busca da família da minha avó materna. Não levei comigo o rascunho da genealogia que, em tempos, a avó Susana me ajudou a fazer, e a prima da minha mãe, Ana Pereira, que há muitos anos eu tinha conhecido nas Donas, já morreu. Soube-o junto à Igreja, um dos poucos lugares que o betão não desfigurou naquela terra. Uma aldeia que é hoje uma espécie de subúrbio descaracterizado do Fundão. Disse que era descendente de uma filha da terra e, em menos de cinco minutos, estava num café a falar ao telefone com uma senhora que, embora não sendo da minha família, foi capaz de dizer os nomes que eu ouvi tantas vezes nomear pela avó Susana. Damasceno. Na fotografia, do casamento da minha mãe, aparece o tio Damasceno, tio avô da minha avó Susana. E também a tia Ana, irmã da minha avó e que foi perceptora em Espanha. Fiquei com um contacto precioso que passei à minha mãe e que lhe permitirá reencontrar a família da minha avó.



E, no meio da conversa com as pessoas da aldeia, perguntei pela D. Maria, a última padeira da aldeia que entrevistei há quase 20 anos e com quem me estreei a fazer recolhas etnográficas. Levaram-me até ao Centro de Dia da aldeia. Chamaram-na e eu não a reconheci num primeiro olhar. Nem ela a mim. Mas depois ouvi-lhe a voz e lembrei-me. Disse-lhe que era neta da Susana Pereira e, logo de seguida, vieram-lhe as memórias em catadupa. Lembrava-se de mais detalhes dessa minha estadia nas Donas para registar o saber dos bolos de azeite do que eu. Passaram tantos anos, mas ela continua a lembrar-se que eu me levantava com ela, ainda de madrugada escura, para bater os muitos ovos que levavam os 25 quilos de farinha de cada fornada de bolos. E ali ficámos, muito tempo, a olhar uma para a outra, a comprimir numa hora duas décadas de vida e a prometer uma nova visita na Páscoa.  

sábado, 4 de janeiro de 2014

NO NEVOEIRO


(Sortelha)

Os últimos de 2013 e os primeiros dias de 2014 passados em viagem por aldeias escondidas pelo nevoeiro. Algumas, cada vez mais vazias de pessoas e de vida. Casas fechadas e enterros dos velhos que ficaram. Paisagens escondidas do olhar em Sortelha e Monsanto. Não é bom tempo para vir cá, disseram-nos repetidamente. Fica a promessa de voltar com o céu azul. 

(Sortelha)

(Monsanto)

sábado, 28 de dezembro de 2013

DEPOIS DOS EXCESSOS E NOVOS INDIVIDUAIS PARA A MESA

Cá em casa as festas fazem-se de excessos assumidos. Não há contenção e não se sente culpa. Não se andam a contar filhós enquanto se olha de soslaio para a coxa, não se prova um niquinho de pudim de ovos porque a ideia é mesmo encher a taça com o dito e não se fica a aguar perante a mousse de chocolate. Em resumo, são festas sem comportamentos neuróticos. Come-se e pronto. Nem se vem postar ao blogue cada vitória (rejeição) de bilharacos. A razão é simples: o corpo já se desabituou de comer as ditas iguarias de modo que, ao fim de 48 horas, já pede sopas de verduras, muitos vegetais e frutas. Bem me podem pôr na frente o bolo de cenoura e as broas doces de batata que a mãe do C. fez, mais o pão de milho que preparei na noite da Consoada...

Ingredientes para um pequeno almoço mais leve:
Iogurte biológico
Framboesas desidratadas e framboesas congeladas
Maçãs desidratadas
Açúcar de coco
Açaí
Erva trigo
Sementes de chia


E hoje, para além do pequeno almoço fresquinho, decidi estrear os individuais que fiz há dias. Usei um tecido que me trouxeram de Angola (mas made in Indonesia) e uma estopa que comprei em Cabeceiras de Basto com a D. Benta. Gosto muito do resultado!


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

MAIS UM WIKSTEN TOVA

É a terceira vez que faço este modelo. Desta vez, escolhi uma flanela de xadrez encarnada e cinzenta para fazer o meu primeiro vestido de inverno. Primeiro e único (embora já esteja de volta dos moldes de um novo modelo). O processo de confecção foi muito mais rápido, mas o facto do tecido não ser absolutamente simétrico (dei logo conta quando me preparava para dobrar e cortar o pano), pregou-me algumas partidas.
Há meses (terá sido uma resolução para 2013?...já não me recordo...) decidi deixar de comprar roupa. Bom, vou ser realista: decidi que só compraria roupa que não conseguisse fazer e que fosse absolutamente necessária. A verdade é que não comprei uma única peça de roupa durante este ano. Porque tinha a mais (despachei uma série de coisas no OLX), porque não precisava, porque me incomoda comprar coisas feitas por pessoas que trabalham num regime de quase escravatura e, finalmente, porque me dá um certo gozo conseguir fazer aquilo que uso. As peças não ficam perfeitas, mas vão ficando cada vez menos imperfeitas. 
Tenho ali uns bons metros de burel que comprei à Ecolã quando estive lá em cima. Tivesse a minha máquina de costura capacidade para lidar com o burel e as próximas peças seriam uma saia e uma pleated tote. Não sendo possível, vou optar por utilizar o cotim que fui comprar com a D. Benta a Cabeceiras de Basto para fazer este avental.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

RECICLAR MOBÍLIA

Assim, à primeira vista, esta mesa até parece estar em óptimas condições. Mas a imagem é absolutamente enganadora. Desde sempre que me lembro de ver esta mesa na casa de banho dos meus avós maternos. O meu avô usava-a para colocar os instrumentos para fazer a barba. Nessa época, era uma mesa de um castanho muito escuro, quase preto. Foi assim que me veio parar às mãos depois dos meus avós morrerem. Ficou uns (muitos) anos esquecida na arrecadação, à espera de uma nova vida e de uma nova casa.
Há umas semanas coloquei mãos à obra e lixei-a de alto a baixo. Deu-me uma trabalheira porque aquela tinta escura colava-se à lixa e dificultava o processo. Acabei por usar uma escova de arame e resolver o assunto mais rapidamente.


E depois, como já era previsível, pintei-a de branco. Não é que eu tenha qualquer obsessão com o branco. Nem sequer a inclinação para considerar que agora o que é bonito são os interiores de inspiração nórdica. Na verdade, isto é tudo uma questão de preguiça. O princípio é o mesmo da roupa: se for toda da mesma cor ou de tons semelhantes dá-me menos trabalho a combinar, pode ser lavada em conjunto e evita que eu perca muito tempo a decidir o que vestir. Com a casa, o processo é mais ou menos igual. Com paredes e móveis brancos, brincar com os objectos de cor torna-se mais simples. Pelo menos para mim. 


A mesa está agora na sala de estar. Uso-a, neste momento, para ter à vista um dos presentes de casamento que nos foi oferecido pela querida Antónia, uma das pessoas que entrevistei quando fiz a pesquisa de doutoramento e de quem me tornei grande amiga: este serviço da Anna Werterlund e que adoro!

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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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