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terça-feira, 26 de maio de 2015

PANQUECAS DE CHIA E POLVILHO


Creio que já escrevi aqui que fui uma adolescente com uma relação patológica com panquecas. A Teleculinária era basicamente a minha Bíblia (foi o chef Silva que inventou a tarte de leite condensado e limão???) e havia um pacote de receitas que eu repetia ad nauseum. Entre elas, estavam as panquecas. Era capaz de passar tardes a cozinhá-las e a enfardá-las alegremente. Eu e as minhas colegas do Liceu. Na altura não se faziam panquecas com Nutella. É certo que lá em casa havia uma coisa parecida: a Nocilla! A Nocilla é a irmã mais nova da Nutella. Todos os anos fazíamos a viagem a Vigo para nos abastecermos de mimos que não havia em Portugal. Era isso e o Blandiblub. Mas a Nocilla não era gasta nas panquecas. Era comida à colher (por mim) ou usada criteriosamente em torradinhas (pelo resto da família). Depois, por décadas, as panquecas ficaram esquecidas, como se estivessem destinadas a serem  consumidas exclusivamente no período parvinho das nossas vidas.
O período parvinho não voltou (aparentemente....), mas voltaram a fazer-se panquecas. Desta vez, sem leite, sem toneladas de açúcar e sem farinha de trigo. Mas com chia, polvilho (o mesmo ingrediente base dos pães de queijo brasileiros) e leite de amêndoa. Esta é uma daquelas receitas que se faz em minutos e o resultado é sempre bom. Prefiro servi-las com fruta, mas podem ser usadas numa versão salgada para acondicionar vegetais.
 


Ingredientes
1 chávena de polvilho doce
1 + 1/2 chávena de leite de amêndoa (ou outro leite vegetal)
1 colher de sopa bem cheia de sementes de chia
2 ovos orgânicos
1 colher de chá de curcuma
flor de sal qb
óleo de coco qb
 
Preparação
Bater os ovos e, de seguida, adicionar os restante ingredientes batendo novamente. Numa frigideira anti aderente colocar uma noz de óleo de coco e deitar 1/4 do polme. Quando começar a ficar tostada de uma lado, virar a panqueca e deixar cozinhar mais um pouco.
Dá para 4 panquecas .
 


sábado, 16 de agosto de 2014

DÁ-ME MÚSICA


Banana -1
Cajus crus - 1 chávena
Coco ralado - 2/3 chávena
Triturar tudo ao som de um tango


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

COCONUT MILK




A vida ganha rumo para a geração mais nova da família e os velhos acalmam os receios de um futuro que parecia adiado. Enterram, também, as preocupações que foram as dos pais deles enquanto eles próprios não encontravam rumos. A vida é feita de muitos rumos e nem sempre esses rumos chegam cedo. Há quem se demore nessa busca. Há quem tropece uma e outra vez e pareça nunca sair do mesmo sítio. Eu, que sou da geração intermédia, sossego também. Menos uma preocupação por dia. 
Nos dias que se querem sem muito barulho, sem coisas para tropeçar. Dias vazios de confusão material e imaterial. A roupa toda do tempo quente cabe-me numa gaveta. As tralhas da cozinha não me cabem em lado nenhum. Menos plástico e mais vidro. Casas vazias. Onde as paredes e o chão não se cubram de coisas que nos asfixiem.
Leite de coco feito de manhã para durar três dias nas garrafinhas. Assim, simples. Ou batido com frutas que trouxemos da aldeia e do meu quintal. Para me fazer esquecer que voltei à cidade.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

GRAIN FREE GRANOLA

Há dois anos eu fazia granolas assim. Depois comecei a seguir fielmente este blogue e este (bom, e muitos outros que têm orientações semelhantes). As explicações sérias, fundamentadas e detalhadas destes dois investigadores sobre os alimentos que nos fazem bem e mal levaram-me a grandes alterações em relação à comida que passei a colocar no prato. Não me tornei fundamentalista, não encaro a nova forma de me alimentar como uma dieta, mas sim como um estilo de vida que passou a fazer muito mais sentido e que me faz sentir muito melhor. 
Não como cereais, com exceção do arroz, ainda que pontualmente. A sensação de inchaço e as dores nas articulações desapareceram por completo quando excluí o glúten da minha cozinha. Abro exceções, claro. O casamento foi uma delas :) Mas também percebi o impacto negativo que esses alimentos tinham no meu organismo. E as exceções são isso mesmo: exceções. E não são as exceções que nos fazem mal, são os hábitos quotidianos, o acumular de asneiras dia após dia.
Cortei nos açúcares, com exceção do açúcar de côco (ainda em análise...) e do açúcar naturalmente presente nas frutas (já agora, sobre o impacto da frutose no organismo, ler isto e isto, só para começar). Não foi difícil, ao contrário do que esperava, o processo de adaptação e de exclusão dos doces da minha alimentação. Na verdade, passados dois anos, deixei de apreciar alimentos excessivamente doces (chocolate, só com 70% de cacau) que, aliás, me provocam dores de cabeça.
Para quem corta nos cereais, talvez o mais difícil seja decidir o que comer ao pequeno almoço. Parece não haver alternativas. Sem pão, sem cereais de pacote carregados de açúcar, sem biscoitos e bolachinhas fica-se convencido que se vai passar fome! Confesso que no início esta foi a minha principal dificuldade. Durante muito tempo comi fruta, apenas fruta, em forma de batido, sumo ou salada. Era claramente insuficiente, pois após duas horas estava com uma fome de gladiador! Continuo a comer fruta, mas junto com a fruta consumo um ovo escalfado, algum queijo e manteiga. 
Por vezes, apetecem-me outras coisas como granola com leite de côco (caseiro, naturalmente). A granola que faço agora já não leva cereais. Não tem açúcar adicionado (apenas aquele que está naturalmente presente nos ingredientes usados e que já não é pouco), é bastante densa e pouco doce. Resumindo,  esta granola deve ser consumida com moderação. Uma colher de sopa bem cheia com uma taça de leite de côco e frutas silvestres já me deixa mais do que satisfeita.


A receita é composta por duas partes: uma base e um composto aglutinador. A base tem uma mistura de amêndoas, nozes e caju, mas podem usar outros frutos secos como avelãs, macadâmias, nozes pecan. O composto aglutinador é aquele que permite colar os ingredientes da base. Utilizei bananas, tâmaras e óleo de côco, mas há quem prefira usar, também, manteiga de amêndoa ou avelã. 



Ingredientes
2 chávenas almoçadeiras de amêndoa sem casca
2 chávenas almoçadeiras de miolo de noz
2 chávenas almoçadeiras de caju cru
1 chávena almoçadeira de uvas passas
1 chávena almoçadeira de côco ralado

6 bananas pequenas
1 chávena almoçadeira de tâmaras Medjool (cerca de 17 unidades)
1/2 chávena almoçadeira de óleo de côco (aproximadamente 3 colheres de sopa muito bem cheias)

Preparação
Primeiro, a base. Na Bimby (ou noutro robot de cozinha) triturar grosseiramente a amêndoa, a noz e o caju. Retirar para uma taça grande e juntar o côco ralado e as uvas passas.
Para a cola processar as bananas, as tâmaras previamente demolhadas duas horas e o óleo de côco até obter uma pasta homogénea. Juntar esta pasta ao preparado anterior e envolver bem.
De seguida, colocar num tabuleiro e levar ao forno até a granola secar. Os tempos são variáveis dependendo do tamanho do tabuleiro e do facto do forno ter ou não ventilador. De qualquer forma, a mistura deve ser revolvida com alguma frequência para evitar que queime. Eu prefiro optar por manter a temperatura do forno mais baixa e ligar o ventilador. Isso permite-me menor vigilância e menos reviravoltas da mistura enquanto o processo dura.
Para guardar a granola, escolho sempre recipientes de vidro herméticos e o frigorífico de modo a evitar alterações de temperatura que possam prejudicar o tempo de vida consumível do produto.
Bom apetite!




segunda-feira, 12 de novembro de 2012

SALADA VERDE DE FEIJÃO BRANCO



Há uns meses semeei no canto das aromáticas oito variedades de plantas. Umas cresceram vigorosamente, como os coentros e a salsa, e outras nunca chegaram a germinar. A minha impaciência levou-me a plantar outras variedades nos quadrados onde não tinha havido germinação. Onde agora há coentros - uma segunda leva - antes foram deitadas ao solo sementes de aipo.  



Ontem à tarde reparei que no meio dos coentros havia alguns pés de aipo. Afinal, vingaram! E apesar de ainda ter muito pouca quantidade disponível, já foi suficiente para perfumar a salada de feijão branco. A rúcula do quintal também foi usada e, depois, foi só juntar agriões, espargos verdes, cebola roxa, azeite, sumo de limão e sal. E feijão branco, claro!


sábado, 10 de novembro de 2012

BOLO DE FEIJÃO E CÔCO


As combinações improváveis, por vezes, funcionam muito bem. Juntar feijão e côco para confecionar um caril de vegetais e leguminosas é coisa mais ou menos frequente na minha cozinha. O feijão dá mais substância ao prato e o leite côco fornece o aveludado ao caril. É impossível usar apenas côco ralado para fazer um caril digno desse nome!
Nunca tinha utilizado, porém, esta combinação de feijão e côco no domínio dos doces. Quando procurava uma receita de bolo sem grãos, sem glúten, sem latícinios e sem açúcar, encontrei esta que me pareceu interessante de experimentar.
Tive de fazer algumas alterações. Não tinha stevia, nem óleo de côco. Mantive a mesma quantidade de mel mas substitui o óleo de côco por creme de côco. E adicionei raspa de laranja. O bolo fica pouco doce (falta a stevia!) mas a consistência é boa, apesar da utilização do creme de côco tornar a preparação mais líquida.
Deve-se deixar arrefecer numa grelha para que a humidade não se acumule na base. E deve-se acompanhar com uma chávena de infusão de erva príncipe. Sobretudo se estiver a chover.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PUDIM DE CHIA


Eu já fui uma pessoa gulosa. Daquelas que fazia bolos todas as semanas, devorava chocolates, perdia o tino com os gelados da Emanha e esperava que todos os natais houvesse na mesa o doce real da avó Jesuína para ter o seu momento épico de gula. Embora continue a gostar muuuuito de chocolates, a minha apetência pelos doces diminuiu drasticamente ao longo dos  últimos anos. Tanto que, quando a família me pede para eu fazer uma sobremesa, raramente a como. O gozo está mesmo em fazê-la.
Depois de na semana passada ter feito um clássico leite creme, com toneladas de açúcar e gemas, e que apenas provei, hoje optei por uma receita mais saudável, mais leve e que não me deixa indisposta como todas as sobremesas convencionais.
Para fazer este pudim de chia, baseei-me nesta receita da Amy, mas tive de fazer algumas adaptações. Os cajus foram substituídos por amêndoas e à falta de tâmaras (aqui é impossível arranjar tâmaras que não estejam cobertas de xarope) usei um pouco de mel. Muito pouco.
Para mim, ficou perfeito, mas para os gulosos da família tive mesmo de colocar um topping de compota de castanha que fiz há dois dias.


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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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