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terça-feira, 9 de junho de 2015

BROWNIES DE BATATA DOCE

Entre as muitas experiências de wraps sem glúten que tenho andado a fazer com polvilhos e  leites vegetais, vai sobrando tempo para outras aventuras culinárias. Hoje foi dia de testar uma receita de brownies adaptada deste livro. Mudei alguns ingredientes, acrescentei outros e o resultado é fantástico. Já tinha experimentado outras receitas da Ella e ainda não houve nenhuma que tivesse corrido mal (ao contrário do que me tem acontecido com outros livros mais famosos....).
São brownies confecionados sem açúcar e sem farinha de trigo e que usam farinha de arroz, mel ou xarope de acér e tâmaras para adoçar e frutos secos para dar alguma textura à massa. Ao contrário da receita original, preferi usar nozes porque gosto mais do sabor que conferem ao produto final.
 


Actualmente é raro comer sobremesas feitas com farinha de trigo, açúcar e manteiga. São ingredientes que deixei de comprar, mas que acabo por consumir em alguma ocasião especial, fora de casa, como festas de aniversário, embora em pequenas quantidades. Os efeitos "nefastos" são imediatos: muita sede, inchaço e enjoo. Sintomas que não surgem quando como bolos ou sobremesas sem esses ingredientes.
Acredito que a adaptação do gosto a sobremesas "alternativas" não seja fácil para algumas pessoas habituadas à textura que o glúten confere aos bolos, ao sabor do açúcar convencional e à cremosidade dada pela manteiga. Mas mesmo estes bolos e sobremesas "alternativos" não devem ser consumidos como se não houvesse amanhã. Por vezes fico com a impressão que as pessoas enfardam estas iguarias como se estivessem a comer mirtilos ou água com limão. Ou, olhando para os instagrams, parece que só comem isso durante todo o dia. Isso e batidos.
Ora eu cá acho que não há nada melhor que um prato cheio de couves temperado com azeitinho, sumo de limão e flor de sal. Dêem-me uma refeição à base de couves (e cenouras, vá) e eu fico feliz. Al dente, obviamente. E quinoa com coentros frescos. E alho francês, pronto. E agora vou ali fazer uns hamburgers de batata doce e bok choy.
 
 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

PERDIÇÃO


Bananas, leite de coco caseiro, cacau cru, farinha de arroz, açúcar de coco, avelãs e raspa de laranja. É de comer e chorar por mais.  A receita precisa, ainda, de alguns acertos, mas está no top das minhas preferidas. O bolo é denso sem ser pesado e tem o equilíbrio certo entre as diferentes texturas que o compõem. Sem glúten e vegan. O próximo ensaio é com crackers de sementes.

sábado, 16 de agosto de 2014

DÁ-ME MÚSICA


Banana -1
Cajus crus - 1 chávena
Coco ralado - 2/3 chávena
Triturar tudo ao som de um tango


sábado, 28 de junho de 2014

O MELHOR PÃO SEM GLÚTEN

Comecei, há um par de anos, a experimentar receitas de pão sem glúten. Comecei com esta e desmultipliquei-a numa série de variações. Depois usei uma receita deste livro e fiz uma e outra alterações. A primeira receita, feita exclusivamente com farinha de arroz fica sempre bem. Suave, branda, mas correcta. Não surpreende, mas também não desilude. A receita do livro de Emmanuel Hadjiandreou é mais complexa. Usa diferentes tipos de farinhas e o resultado final é mais consistente. Mais interessante do ponto de vista da textura e do sabor. Fi-la várias vezes substituindo sempre um dos ingredientes, a fécula de batata, por polvilho (doce ou azedo).  Porque calhou nunca ter, nessas alturas, esse ingrediente em casa. Por vezes, a massa ficou com a consistência de borracha e o pão pouco cresceu. O polvilho tem destas coisas: faz as coisas ficarem massudas. Quando se aumenta a proporção do mesmo em relação aos restantes ingredientes, o resultado pode ser desastroso. Já fiz pães assim e dos quais só consegui aproveitar a côdea.


Fazer pão é tarefa que eu gosto de reservar para o fim de semana, quando não ando a correr para as aulas e quando gostamos de tomar o pequeno almoço mais tarde. Tinha vários pacotes de farinhas abertos há já algum tempo e aos quais era preciso dar destino. E decidi inventar...
Comecei por anotar, cuidadosamente, os ingredientes e as quantidades que ia colocando na taça. Polvilhos doce e azedo, farinha de arroz, farinha de trigo sarraceno, fécula de batata e sêmola de milho, levedura, azeite, raspa de limão, sal... e comecei a distrair-me com a água morna que já estava quente e depois já era muita e de seguida era preciso juntar mais farinha de arroz e já nem me lembrei de a pesar! Deixei a massa a descansar - como faço sempre - e fui cortar os restos de tecido para fazer mais dois individuais.
Quando coloquei a massa no forno pareceu-me que tinha a adequada consistência, mas decidi esperar pelo fim da cozedura para largar os foguetes! Ora, eu não sou daquelas pessoas que, depois de tirar o pão do forno, fica ali pacientemente à espera que arrefeça. A curiosidade é mais forte. Uns minutos depois estava a cortar o pão em fatias! Maravilha. Não poderia ter ficado melhor. É, de longe, o melhor pão sem glúten que já fiz ou que já comi. Em textura bate todos os outros. Temos receita... não sei é, exactamente, que receita :)


sexta-feira, 27 de junho de 2014

TIJOLOS DE TEMPEH

No Verão de 1988, eu e mais três amigas, fomos trabalhar para um campo de morangos em Inglaterra. Queríamos ganhar dinheiro para quando, um par de meses depois, entrássemos na universidade. A Guida, a Raquel e eu viajámos de camião TIR até Calais. Depois apanhámos o barco e, de seguida, o comboio até Londres. É capaz de ter sido a viagem mais surreal das nossas vidas! Horas e horas enfiadas na cabine de um TIR (na verdade foram dois, já que em Paris mudámos para outro camião e viajámos com um motorista que os nossos pais não conheciam). 
Aprendemos para que servia o paninho que os camionistas levam (levavam?) amarrado aos espelhos retrovisores (a deslocação do ar faz mover o pano e assim se limpa a porcaria que se acumula no espelho) e os truques usados para avisar os outros motoristas da presença da polícia. Mas a parte que mais nos fascinava era quando o motorista abria a caixa exterior, situada ao lado das rodas, e de lá tirava tudo o que se possa imaginar: bacalhau, batatas, garrafões de azeite, latas de conservas, fogão e mil e uma coisas. O homem levava a cozinha e a despensa com ele!
Chegadas a Londres, estivemos, já com a quarta amiga, um par de dias em casa dos familiares de uma colega do liceu e percorremos a cidade com a curiosidade e inocência típicas dos 17-18 anos. Éramos tão totós!
Depois seguimos para uma localidade costeira, da qual sou incapaz de recordar o nome (mas alguém há-de vir aqui relembrar-me!) e passámos um mês inteirinho a apanhar morangos. Como achávamos que a comida era caríssima no Reino Unido levávamos as mochilas carregadas de víveres. Tínhamos definido um menu semanal que iríamos repetir à exaustão. Pacotes de arroz, pacotes de esparguete, latas de atum e embalagens de soja granulada. E outras coisas das quais não me recordo. Fruta, pão, leite e hortaliças compraríamos no local. 
Ao contrário das nossas expectativas, a comida tinha preços muito semelhantes ao que era praticado em Portugal. Bem nos apeteceu variar o menu, mas éramos poupadas e havia que gastar a comida que tínhamos levado. Durante meses não pudemos olhar para a soja e para o atum! Na verdade, nos anos seguintes foram pouquíssimas as vezes que voltei a comer soja granulada. Recordo-me que havia quem substituísse, na confecção de rolo de carne ou na bolonhesa, metade da carne por soja granulada. Que mistela execrável aquilo devia ser....Soja granulada sempre me soube a borracha. Nem afogada em especiarias conseguia tornar aquilo comestível. Enfim, o tempo passou e não voltei a comer PST.
Há algum tempo, começaram a surgir artigos sobre os prejuízos da soja para a saúde (nem vou entrar na questão do impacto ambiental, mas este artigo, do antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro, é elucidativa qb e fornece uma outra leitura sobre o assunto). As opiniões não são consensuais, mas parece haver, aí sim, alguma concordância, sobre os benefícios do consumo dos produtos fermentados da soja como o tempeh, o miso ou o molho de soja.
Eu gosto especialmente de tempeh. Não apenas do tempeh de soja. Já provei outros tempehs feitos com base noutros ingredientes como o milho e adorei o sabor...dúvida existencial: será que lhes podemos chamar tempeh?!


Não aprecio o tempeh em farripos disfarçados no meio de massa ou de arroz, como se de um elemento de menor importância se tratasse. O produto é o resultado de um processo delicado e tem nobreza para ser o protagonista no prato. Gosto do tempeh cortado em generosos pedaços, previamente cozidos, para lhes amaciar o gosto e a textura, e depois salteados em azeite ou óleo de coco. Estes, da imagem, foram salteados num fio de azeite e salpicados, muito levemente, com flor de sal.


Acompanham com fideos de massa de arroz e quinoa (sem glúten) que, depois de cozidos em abundante água, foram escorridos e salteados em óleo de coco até ganharem crosta. Estes fideos ficam com uma agradável textura"chewy"; se os saltearmos em lume forte com uma gordura como o óleo de coco o contraste que se obtém é muito bom. Para completar fiz um coulis de pimento vermelho e usei talos de aipo cortados em fatias finas.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

LEITE DE COCO COM PAPAIA


Ontem, ao final da tarde, no Museu do Oriente, assisti a um dos espectáculos mais belos em toda a minha vida. Fomos ver o grupo iraniano Delvanâzi e ficámos absolutamente fascinados com a actuação dos seis músicos. Uma das partes mais arrebatadoras do espectáculo foi protagonizada pelos dois músicos que, nesta imagem, aparecem mais à direita e que tocavam instrumentos de percussão tradicionais do Irão, entre os quais o Daf e o Dohol. O que fizeram com os instrumentos, num impressionante dueto, foi pura magia! Melhor que isto só mesmo assistir a este espectáculo em Isfahan a comer este maravilhoso arroz :)
Não houve arroz (na verdade, houve um bom arroz tailandês num restaurante sofrível), mas houve duas outras experiências alimentares. Digamos que andei a fazer espionagem culinária na cidade de Lisboa. As noites de sexta, sábado e domingo serviram para tirar teimas e confirmar suspeitas. Abusei vergonhosamente das coisas que me fazem mal e hoje voltei ao meu regime normal de comida saborosa e saudável. Mas muito pouco local. 
Para desenfartar, dei destino ao resto do leite de coco, juntei-lhe uma papaia e triturei até obter uma mistura homogénea e muito suave. Era capaz de beber isto todos os dias. E comer arroz iraniano :)


quinta-feira, 19 de junho de 2014

BATIDO SILVESTRE COM PIMENTA


Tenho uma nesga de verde na minha janela. Uma macieira, uma pereira, uma buganvília e jasmin que treparam pelo ar. Na casa do lado há um jardim cuidado por um homem que veio do outro lado do Mundo e que faz esculturas de madeira. Não fala a minha língua, mas tem o quintal cheio de melros e pardais que vêm comer as bolachas partidas que lhes deixo no parapeito da janela.  Cantam uns para os outros quando avistam a merenda.


Para duas pessoas:

400 ml de leite de coco caseiro
150 gramas de frutos silvestres variados (morangos, mirtilos, framboesas, amoras, groselhas
4 colheres de sopa de sementes de chia
1 colher de sopa de açúcar de coco (opcional)
Pimenta branca qb

Triturar todos os ingredientes e coar no passador chinês. Servir fresco.


terça-feira, 17 de junho de 2014

COCONUT MILK




A vida ganha rumo para a geração mais nova da família e os velhos acalmam os receios de um futuro que parecia adiado. Enterram, também, as preocupações que foram as dos pais deles enquanto eles próprios não encontravam rumos. A vida é feita de muitos rumos e nem sempre esses rumos chegam cedo. Há quem se demore nessa busca. Há quem tropece uma e outra vez e pareça nunca sair do mesmo sítio. Eu, que sou da geração intermédia, sossego também. Menos uma preocupação por dia. 
Nos dias que se querem sem muito barulho, sem coisas para tropeçar. Dias vazios de confusão material e imaterial. A roupa toda do tempo quente cabe-me numa gaveta. As tralhas da cozinha não me cabem em lado nenhum. Menos plástico e mais vidro. Casas vazias. Onde as paredes e o chão não se cubram de coisas que nos asfixiem.
Leite de coco feito de manhã para durar três dias nas garrafinhas. Assim, simples. Ou batido com frutas que trouxemos da aldeia e do meu quintal. Para me fazer esquecer que voltei à cidade.


quinta-feira, 12 de junho de 2014

WRAPS VEGANOS

Com os feriados desta semana - e com uma folga muito conveniente no curso de cozinha - viemos para a Figueira. Poderia dizer que tem sido uma semana de descanso. Não fosse o portão da garagem que decidimos recuperar. Um portão de madeira com 50 anos e que não era tratado há quase vinte anos. Foi preciso desmontar as cinco secções que o compõem, lixar com o berbequim apetrechado com uma lixa de aço - tal era o dano - lixar à mão, encher com mastic as fendas e, finalmente, pintar. Pintar uma vez, pintar duas e, a terceira, há-de acontecer no sábado. Bem sei que deveria ter tirado as fotos antes-depois, mas o lixo produzido era tanto que nem me lembrei de levar a máquina fotográfica lá para baixo. Ainda nos falta afixar a placa para não estacionarem em frente à garagem (infelizmente, está sempre a acontecer e é recorrente termos de chamar a polícia para rebocarem os carros), colocar uma nova maçaneta e limpar os pingos de Bondex que ficaram no pavimento. 
Animados com os resultados, decidimos recuperar mais uma mesa. Desta vez, uma peça que fiz quando andava no 8º ano (como eu adorava as aulas de marcenaria!) e que já tem destino aqui em casa. Não me vou esquecer de registar o antes e o depois da mesa!
Sem muito tempo para cozinhar e com o tempo a pedir coisas bem frescas, decidi fazer uma outra versão dos wraps com folhas de papel de arroz que já tinha mostrado aqui. 


Humedeci as folhas (desta vez o processo correu muito melhor!) e recheei com alface, cenoura ralada, couve roxa cortada em juliana, húmus (usei apenas grão de bico, água, azeite e alho) e fatias de tâmaras medjool. De seguida, salteei os wraps num pouco de azeite. Ficaram uma delícia e muito frescos. 
Convém retirar o excesso de líquido da alface, couve roxa e cenoura (usando, por exemplo, papel absorvente) para que o wrap não fique empapado.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

TARTE CRUDÍVORA DE MORANGOS E CAJU

Muitos anos depois, ando a reler um dos primeiros livros de crudivorismo que comprei. A autora, Renée Underkoffler, era uma das referências no campo da raw food ali entre 2000 e 2006.
O livro tem 487 páginas e 258 são dedicadas a analisar os princípios, os ingredientes, as técnicas e os equipamentos de uma cozinha crudívora. Ou seja, foi escrito para quem quer aprender os fundamentos do crudivorimo. Living Cuisine - The Art and Spirit of Raw Foods, é um dos melhores livros do género. Detalhado, exaustivo, rigoroso. O único senão é a ausência de fotografias para ilustrar receitas. Juntamente com a Ani Phyo, a Renée Underkoffler é, para mim, uma das grandes figuras da cozinha crudívora. 
Living Cuisine tem um capítulo inteirinho dedicado aos bolos e às tartes cruas. Há uma, em especial, feita com toneladas de mirtilos que é obrigatório experimentar! O capítulo em questão tem uma lista extensa de receitas para bases de tartes e de combinações originais para os cremes das mesmas. Por exemplo, em relação às bases, estão lá as misturas, que agora se tornaram virais, de tâmaras, frutos secos (nozes, avelãs, amêndoas, etc.) e especiarias.
A receita de hoje é uma adaptação da tarte que a Elenore fez para o seu casamento. Fiz algumas alterações na base e no creme que, a meu ver, funcionaram muito bem. Quando nos habituamos a comer sobremesas cruas, as opções tradicionais - por mais saborosas que sejam, e são! - começam a parecer-nos demasiado doces. Tenho-me tornado cada vez menos tolerante aos doces convencionais, ao ponto de, aqui há dias, ter ido parar ao hospital. No curso, as aulas de doçaria acabam por ser uma experiência muito agridoce! Dos Travesseiros de Sintra - que estavam absolutamente maravilhosos - só pude provar um niquinho. Então nos últimos dias, com as aulas de cozinha brasileira e uma abundância de cocadas, brigadeiros e outras coisas maravilhosas, tive mesmo de me conter! 
A questão é que também é necessária parcimónia na ingestão destas sobremesas crudívoras. Agora parece ser moda fazer gelados e batidos com 300 bananas e 700 tâmaras ou usar quilos de frutos secos numa única receita. Estas sobremesas devem, também, ser a excepção numa alimentação saudável. É mesmo necessário comer doces todos os dias e a todas as refeições? Mesmo a receita de hoje tem uma quantidade considerável de cajus e amêndoas - na base e no creme - e há que haver algum equilíbrio quando se come. Uma fatia fina é mais do que suficiente para nos saciar.
E agora vou ali comer a minha tigela de brócolos, espargos verdes e macarrão de quinoa e arroz :)


Receita

Ingredientes
Base
1 chávena de sementes de girassol
2 chávenas de amêndoas (previamente demolhadas durante a noite e escorridas)
1 chávena de tâmaras Medjool
2 colheres de sopa rasas de alfarroba em pó
1 colher de sobremesa de canela em pó
flor de sal qb

Creme
2 chávenas de cajus (demolhados durante 4 horas e escorridos)
3 chávenas de morangos
1 chávena de mirtilos (corresponde aproximadamente a uma embalagem)
1 chávena de tâmaras
3 colheres de sopa de sumo de lima
4 colheres de sopa de óleo de coco


Preparação
Forre uma base de tarte desmontável com película aderente de modo a que a película cubra até às bordas da forma. Reserve.
Num robot de cozinha coloque todos os ingredientes da base e processe até a mistura ficar homogénea. Para facilitar, corte previamente as tâmaras em pedacinhos antes de as colocar para triturar. Com esta mistura, forre a base da forma, calcando com os dedos de modo a criar uma camada lisa. Reserve.
Coloque todos os ingredientes do creme, com excepção dos mirtilos, no robot de cozinha e triture até a mistura ficar completamente homogénea. Coloque na forma, por cima da base e alise com as costas de uma colher ou com uma espátula.
Num copo misturador triture com a varinha mágica os mirtilos. Com um palito ou pauzinho, abra vários buraquinhos no creme de cajus e morangos e coloque porções da pasta de mirtilos. Fazendo movimentos circulares com o palito ou pauzinho, incorpore os mirtilos no creme. 
Cubra com papel de alumínio ou película aderente e leve ao congelador para solidificar. Para servir, retire do congelador cerca de uma hora antes. 


Como já referi aqui, o grande desafio das sobremesas crudívoras reside nas baixas temperaturas a que habitualmente deverão ser servidas (caso contrário, as sobremesas desmancham-se). Esta tarte manteve-se em forma mesmo depois de ter estado quase duas horas a descongelar. Ou seja, é possível servi-la fresquinha qb. Uma outra questão prende-se com o facto de ser necessário descongelar a sobremesa de cada vez que é servida e ser obrigatório voltar a congelar o que sobra. O ideal, consequentemente, será servir esta tarte numa refeição com um número suficiente de pessoas para dar conta dela! O que não é difícil :) 

domingo, 25 de maio de 2014

GELADO DE BANANA COM CARAMELO SALGADO

Quando o Matt Preston, um dos jurados do Masterchef Austrália, apareceu num programa a ensinar a fazer gelado de banana... apenas com banana, a blogosfera e o instagram ficaram em êxtase e inundaram a internet com receitas semelhantes :) Mas versões de gelados crus, nomeadamente de banana, há muito que existem no receituário crudívoro e constituem boas opções para quem não quer, ou não pode, consumir gelados com lacticínios, carregados de açúcar e gorduras hidrogenadas. O que pode haver de mais simples do que um gelado de banana cujo único ingrediente é somente a banana?Um gelado de banana com caramelo salgado e cajus tostados! Ao pequeno-almoço :) 
Bananas congeladas (sempre cortadas às fatias para mais facilmente serem usadas) é coisa que nunca falta no congelador. Bananas muito maduras, já passadas, são as melhores. Mais doces e com a textura ideal para serem trituradas depois de congeladas. Não se compram gelados cá para casa. A piada está mesmo em inventar misturas ao nosso gosto. Com ingredientes naturais. E muita fruta. E, por cá, gosta-se especialmente de caramelo salgado. O convencional faz-se, muito pontualmente, para acondicionar as pipocas caseiras. Este, mais saudável e com um toque especial devido à manteiga de cacau, serviu na perfeição para o gelado de banana.


Receita

Ingredientes
Bananas maduras cortadas às fatias e congeladas (qb)
Cajus crus (qb)
4 colheres de sopa de açúcar de coco
2 colheres de sopa de óleo de coco
1 colher de sopa de manteiga de cacau
Flor de sal (qb)
Água (qb)

Preparação
Para fazer o gelado, retirar as bananas do congelador, deixar à temperatura ambiente durante 15 minutos e, seguidamente, num robot de cozinha potente, triturar até obter a consistência de pasta. Colocar em taças e reservar no congelador até utilizar.
Tostar os cajus crus numa frigideira. Reservar.
Para fazer o caramelo, colocar o açúcar e água suficiente para cobrir num pequeno tachinho. Levar ao lume até o açúcar se dissolver. Juntar o óleo de côco, a manteiga de cacau e o sal e deixar cozinhar até obter um caramelo espesso.
Retirar o gelado de banana do congelador, polvilhar com os cajus torrados e guarnecer com o caramelo salgado.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

TEMPEH

Não é um ingrediente que use com frequência. Fez parte, em tempos idos, da trilogia - tofu, tempeh e seitan - que comia com regularidade. Seitan é coisa que descartei há muitos anos. Por todas as razões e mais algumas. Tofu, actualmente, apenas consumo quando vou a algum restaurante vegetariano. Mesmo assim, evito. O tofu ou é muito bem temperado ou sabe a gesso. Mas, esta semana, cozinhámos estes três produtos nas aulas e isso levou-me a experimentar em casa uma versão mais elaborada do tempeh (na aula tínhamos apenas frito o tempeh para usar na sopa de miso).
Os desafios da cozinha não passam apenas pelas técnicas adequadas para a preparação de cada ingrediente, mas também (entre 500 outras coisas) pelas combinações certas de texturas, sabores e ingredientes num mesmo prato. É (também) isso que ajuda a distinguir uma cozinha amadora de uma cozinha mais profissional.
Não sou propriamente fã de comida vegetariana de restaurante que me faça lembrar a descontração de uma refeição em casa. E não estou a ser snob nem picuinhas. Mas não gosto, quando como fora de casa, de encontrar coisas num prato sem qualquer conexão ou repetições, sem sentido, das mesmas categorias de ingredientes. 
De modo que, quando pensei em usar tempeh, procurei que o resultado final não me lembrasse um tv dinner :) Traduzindo: tudo ao monte! Sabia, à partida, que queria usar o tempeh fatiado e com um sabor agridoce e que o arroz teria de ser de coco. Mas tinha dúvidas em relação ao molho. Queria que fosse contrastante em termos de cor, mas não adocicado em demasia para não repetir as notas do tempero do tempeh. Acho que consegui um bom resultado com o molho de pimento assado, especialmente porque este foi equilibrado com o sumo de limão. Os vegetais que usei foram os que tinha disponíveis em casa e que me pareceram mais adequados. Mas o prato também funciona com outras opções: espargos verdes, por exemplo.
Usei alguns ingredientes que não são muito comuns como as folhas de lima kaffir e o creme de coco que compro aqui. O creme de coco pode ser substituído por leite de coco. As folhas de lima kaffir dão um toque de frescura muito característico e um aroma especial. Mas pode-se usar outro tipo de ervas como coentros, menta ou mesmo aipo.


Ingredientes

Para o arroz
1 chávena de arroz
2 chávenas de água
1 colher de sopa de creme de coco
1 folha de lima kaffir
sal qb
1 colher de sopa de coco ralado tostado

Para o tempeh
8 fatias de tempeh
sumo de meio limão grande
1 colher de sopa rasa de açúcar de coco
1 pedaço de 3 cm de gengibre ralado
2 dentes de alho picados
flor de sal qb
uma pitada de açafrão
1 colher de sopa bem cheia de óleo de coco
1 colher de sobremesa de azeite com piripiri
1 colher de sopa de coentros picados

Para os vegetais
4 cenouras pequenas
10 folhas de couve chinesa
1 colher de sopa de óleo de coco
1 colher de sopa de sumo de limão
flor de sal qb

Para o molho de pimento
1 pimento
duas colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de sumo de limão
flor de sal qb




Preparação
Para fazer o molho, assar o pimento no forno. Depois de bem assado, colocar dentro de um recipiente tapado (ou dentro de um saco plástico fechado). Esperar dez minutos, retirar a pele, as sementes e o pé. Num copo misturador colocar o pimento, o azeite, o sumo de limão e a flor de sal. Triturar até obter um preparado homogéneo. Reservar.
Para cozer o arroz, num tacho deitar duas chávenas de água, uma folha de lima kaffir, uma colher de creme de coco e sal qb. Quando levantar fervura deitar o arroz e deixar cozer. Se o arroz ainda tiver água depois de cozido, escorrer a água. Reservar.
Numa frigideira, tostar o coco ralado. Reservar.
Para preparar o tempeh, deitar água num tacho e, quando levantar fervura, colocar as fatias de tempeh. Deixar cozinhar durante cinco minutos. Retirar e reservar. Numa frigideira colocar todos os ingredientes do molho para o tempeh (sumo de limão, gengibre ralado, alho picado, flor de sal, óleo de coco, azeite e açafrão), excepto o açúcar de coco, para cozinhar em lume médio. Quando o gengibre e o alho começarem a ficar dourados, adicionar o açúcar de coco e as fatias de tempeh e deixar que estas ganhem uma crosta de ambos os lados. Retirar e descartar o que sobra do molho.
Entretanto, cortar as cenouras e a couve chinesa em juliana. Num tacho com água a ferver, bringir as cenouras durante um minuto, escorrer e mergulhar em água gelada para parar a cozedura  e manter a cor. Escorrer novamente e reservar. Numa frigideira colocar o óleo de coco, o sumo de limão e a flor de sal para aquecer. Juntar a cenoura e a couve chinesa e saltear brevemente em lume muito forte. Retirar para um passador chinês e deixar escorrer o excesso de líquido.
Para empratar, enformar o arroz em tigelas pequenas e, de seguida, virar sobre o prato de serviço. Decorar com coco ralado e tostado. Adicionar as fatias de tempeh polvilhadas com coentros e os vegetais salteados. Servir o molho de pimento numa pequena tigela.

sábado, 17 de maio de 2014

POLPA DE AMÊNDOA

Quem bebe leite de amêndoas caseiro (ou outro leite à base de frutos secos como as nozes, as avelãs ou os cajus) sabe que, depois do leite feito, sobra polpa. Muita polpa. Polpa que, frequentemente, acaba no lixo. Essa heresia chegou ao fim :) 
Bom, antes de mais convém esclarecer que as características da polpa obtida no processo de produção de leite de amêndoas dependem do equipamento de cozinha disponível (potência do robot de cozinha) e dos procedimentos seguidos para coar o leite. Equipamentos mais robustos e com lâminas mais afiadas são mais eficientes e permitem obter uma polpa mais fina. Por outro lado, o modo como se coa o leite também pode ter resultados mais ou menos eficazes. Usar um passador chinês ou um escorredor normal deixará passar parte da polpa (sobretudo se esta estiver bastante triturada) juntamente com o líquido. O ideal é usar um saco em étamine. Retém a totalidade  da polpa e o líquido é integralmente aproveitado.


Desta vez, optei por usar a polpa de amêndoa para fazer bolinhos crudívoros (a versão dos crackers salgados fica para a próxima semana) com tâmaras e canela.

Ingredientes
Polpa de amêndoa resultante de 3 chávenas de amêndoas (medida aferida antes das amêndoas serem demolhadas, descascadas e trituradas)
9 tâmaras medjool
1/3 de chávena de óleo de coco
1/2 colher de café de flor de sal
1 colher de café de canela em pó
pepitas de cacau qb (opcional)

Preparação
Num robot de cozinha deitar todos os ingredientes e triturar até obter uma pasta completamente homogénea. Retirar a pasta e moldar pequenas bolinhas. Levar ao frigorífico para solidificar (o óleo de coco contido na pasta vai permitir endurecer o preparado). Quando as bolinhas já estiverem firmes, espetar algumas pepitas de cacau. 


É importante guardar a polpa de amêndoa no frigorífico enquanto esta não é usada. Por outro lado, as bolinhas devem ser mantidas refrigeradas, não apenas para se manterem firmes, como também para não se degradarem (sobretudo agora que o tempo aqueceu).  Bom, na verdade, estas bolinhas crudívoras não duram muito tempo...comem-se depressa :)


sábado, 10 de maio de 2014

A JÓIA DA COROA

É suposto as sobremesas fazerem as pessoas felizes. Felizes e sem dores de barriga. O que  é normalmente o que me acontece quando me oferecem uma sobremesa conventual e eu não me contento com uma colherzinha. Ora, dores de barriga é coisa que não tenho quando as sobremesas são crudívoras. Nem dores de barriga, nem picos de glicémia. Nem enfartamentos.
Com o frigorífico cheio de mangas trazidas da Figueira (dito desta forma até parece que a cidade se situa no paralelo 23) decidi dar-lhes destino mais elaborado que um simples batido apresentado num frasco de compota com uma palhinha multicolor e fazer um bolo de manga crudívoro. 
As mangas eram sumarentas, embora algo fibrosas, e muito, muito doces (anos e anos de selecção das variedades mais doces dá sempre nisto). Optei pela receita habitual do registo crudívoro: uma base de frutos secos e uma cobertura de fruta fresca. Creio que a grande questão/desafio deste tipo de sobremesas  - pelo uso da fruta e do óleo de coco - reside no facto da cobertura precisar de congelar previamente para, posteriormente, poder ser servida a uma temperatura não propriamente negativa.
Se, por um lado, a fruta crua torna o bolo muito húmido (problema agravado pela percentagem de água contida em cada tipo de fruta), é o óleo de coco que permite, se a temperatura não for alta, manter a consistência da cobertura. Basta observar o que acontece num frasco de óleo de coco quando está frio e quando está calor. Derrete-se quando sobe a temperatura e torna-se uma pedra quando chega o tempo frio.
As quantidades de manga e dos restantes ingredientes da cobertura que indico na receita representam metade do que efectivamente usei. O que significa que a cobertura não vos vai ficar tão alta como sucede na fotografia. Creio que o bolo funciona melhor (tira-se mais facilmente da forma, corta-se mais facilmente e não precisa de tanto tempo fora do congelador) se usarem metade das quantidades que utilizei.
Atenção, também, à qualidade dos ingredientes: óleo de coco refinado não é propriamente a coisa mais saudável do mundo. Convém optar por uma variedade orgânica e virgem. Costumo comprar este, simplesmente porque é o que encontro com mais facilidade perto de casa.




Receita

Ingredientes (para uma forma rectangular com cerca de 28 cm de comprimento)

Para a base
300 grs de amêndoa pelada
300 grs de tâmaras medjool
1 pitada de flor de sal

Para a cobertura
80 grs de banana congelada
500 grs de manga fresca descascada
1/2 vagem de baunilha
60 grs de óleo de coco


Preparação
Forrar uma forma com película anti-aderente de modo a que a mesma fique sempre acima do nível da cobertura do bolo e cubra as bordas da forma.
Para a base, triturar todos os ingredientes até obter uma mistura homogénea mas com alguma textura. Despejar na forma e calcar até o preparado ficar bem acondicionado.
Para a cobertura, raspar a vagem de baunilha e adicionar aos restantes ingredientes. Triturar até obter uma misturar totalmente uniforme.
Despejar na forma e levar ao congelador para solidificar. Retirar do congelador pelo menos meia hora antes de servir e usar uma faca aquecida em água bem quente para cortar as fatias.

terça-feira, 6 de maio de 2014

BASE DE BOLO DE CENOURA CRUDÍVORO

Desidratador e polpa de coco jovem (!) são duas coisas praticamente obrigatórias nas receitas de sobremesas de alguns dos livros de cozinha crudívora que tenho cá em casa. Desidratador ainda não há e polpa de coco jovem, bom, não estamos num país tropical e a oferta é limitada. Chato, chato, é quando se compra o coco e se descobre que não é assim tão fresco quanto se imaginava. 
Bom, mas há sempre possibilidade de se experimentarem outras receitas sem recorrer ao desidratador e à polpa de coco. Tenho andado a pesquisar sobre bases de bolos e esta, de cenoura, era uma das que mais queria testar. Simples, rápida e que pode funcionar como base de bolo (ainda tenho de testar coberturas adequadas) ou para fazer trufas.
Não exige ingredientes alienígenas (já é relativamente fácil comprar óleo de coco e tâmaras sem aquela cobertura odiosa de açúcar) e o resultado é francamente bom. E antes que me esqueça, um dos melhores blogues de sobremesas (e não só) crudívoras é este aqui.


Receita

Ingredientes
400 grs de cenouras
100 grs de avelãs
40 grs de farinha de coco
8 tâmaras medjool
40 grs de óleo de coco
1 pitada de cardamomo
1 pitada de noz moscada
flor de sal qb
1 colher de chá de canela em pó

Preparação
Num robot de cozinha (ou Bimby) triturar todos os ingredientes até obter uma mistura homogénea mas com textura.
Enrolar bolinhas e levar ao frigorífico até servir ou usar como base de bolo.


Esta massa não fica excessivamente doce. Pode-se aumentar a quantidade de tâmaras para obter um resultado mais intenso. Também se pode adicionar mais especiarias. As quantidades indicadas conferem um sabor muito subtil. E agora vou ali à cozinha testar outra base de banana, tâmaras e amêndoas.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

MANTEIGA DE AMÊNDOAS E TÂMARAS


Quando ontem à noite deixei as amêndoas de molho em água morna, tinha o propósito de fazer o habitual leite de amêndoas hoje de manhã. Nada de especial. Tarefa rotineira. Pelar, triturar, juntar água, triturar mais um pouco, coar, guardar uma parte e beber a outra. Mas depois, com os pensamentos perdidos no impossível, deixei a Bimby bombar mais tempo que o habitual e a amêndoa transformou-se numa pasta de uma macieza doce. Provei e juntei-lhe algumas tâmaras medjool para a doçura ser ainda maior. Tinha um massapão inesperado na minha cozinha. 
Um massapão que agora uso para fazer leite de amêndoas. É muito mais prático. Basta misturar uma colher de sobremesa deste massapão/manteiga com um copo de água mineral e habemus almond milk. Também se pode comer à colherada :)

quarta-feira, 5 de março de 2014

LEITE CONDENSADO DE COCO



Sem lactose e sem soja. Com leite de coco, açúcar de coco e óleo de coco. Para adoçar o primeiro dia aqui :)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

PÃO DE AÇAFRÃO

Já fiz a receita base deste pão várias vezes. É rápida - não demora mais do que 5 minutos, se tanto, a misturar os ingredientes - simples e permite ter pão sem glúten à disposição dos amantes de pão cá em casa. É bom acabadinho de fazer, ainda quente e a fumegar, mas igualmente bom cortado às fatias e tostado no forno (ou na torradeira). 
Ontem experimentei fazer algumas alterações na receita original - juntei açafrão para dar esta cor fantástica e sementes de sésamo para o pão ganhar outra textura. E mudei também a ordem de incorporação dos ingredientes. O resultado foi melhor do que esperava. Ficou com uma textura muito distinta da receita original, menos densa e mais agradável.


A receita
Ingredientes
500 gramas de farinha de arroz
1 saqueta de fermento seco sem glúten
2 colheres de chá de goma xantana
3 colheres de sopa de açúcar ou açúcar de côco
1 colher de sopa mal cheia de flor de sal
1 colher de sopa de açafrão em pó
5 colheres de sopa de sementes de sésamo
550 ml de água morna
5 colheres de sopa de azeite

Preparação
Tostar as sementes de sésamo numa frigideira até começarem a ganhar cor. Reservar. Numa taça grande deitar a farinha, o fermento seco, a goma xantana, o açúcar, o sal, o açafrão e as sementes de sésamo e misturar bem. Juntar a água morna (não aquecer em demasia para não matar as leveduras) e mexer até obter uma mistura homogénea. Finalmente, adicionar o azeite e envolver bem. 
Deitar numa forma anti aderente bem untada com azeite. Se não possuir forma anti aderente, untar uma forma normal, forrar em baixo e nos lados com papel vegetal e voltar a untar. Cobrir com papel vegetal e deixar levedar 90 minutos num sítio aquecido. Normalmente cubro a forma com uma manta bem quente. 
Levar a forno pré aquecido a 200º, mantendo a forma tapada com o papel vegetal, durante cerca de 50 minutos. Nos últimos minutos pode-se retirar o papel vegetal para o pão ganhar cor.
Retirar da forma e deixar arrefecer sobre uma grelha para o pão não acumular humidade na base.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

PÃEZINHOS DE MANDIOCA COM CHIA

As minhas experiências na cozinha com a mandioca têm sido muito limitadas. Há uns anos lembro-me de ter feito um caril de legumes e de ter usado como acompanhamento  mandioca cozida e depois salteada em vez do arroz. E apesar de ter gostado bastante do sabor e da textura da mandioca, o certo é que este produto não tem grande protagonismo na minha cozinha. Bom, na verdade, não estou a contar com os pães de queijo, coisa maravilhosa que a diáspora brasileira trouxe até nós, já que o polvilho, um dos ingredientes base, é um sub produto da mandioca. Nas minhas pesquisas online descobri a Neide que escreve verdadeiros tratados sobre a mandioca. Aqui e aqui, para quem tiver curiosidade sobre o assunto.
Há muito que procurava uma receita de pão de queijo vegan: sem leite e sem queijo. Encontrei-a aqui e apenas fiz ligeiras adaptações. 


Ingredientes
500 grs de mandioca cozida e escorrida
500 grs de polvilho azedo
150 ml de azeite
2 colheres de chá de flor de sal
4 colheres de sopa de chia
1 colher de café de açafrão em pó
água qb

Preparação
Descasque e corte a mandioca em cubos (quanto mais pequenos, mais rápida será a cozedura). Coza em água abundante até a mandioca ficar mole. Escorra. Na Bimby, ou num outro processador, triture a mandioca até obter uma massa uniforme. Uma chamada de atenção para esta parte da receita. Ao se triturarem os cubos de mandioca, a massa que se forma torna-se bastante elástica, como se fosse uma cola. Uma solução passa por adicionar logo nesta etapa do processo parte da água. Se assim não for, existe alguma dificuldade em extrair a massa do aparelho.
Numa taça grande deite o polvilho, o sal, a chia e o açafrão. Junte o azeite e envolva com os dedos de modo a formar grumos. Junte a massa de mandioca e vá adicionando a água aos poucos até obter uma mistura uniforme, consistente e que se despega dos dedos com alguma facilidade.
Molde bolinhas e num tabuleiro untado com azeite leve ao forno (180º em forno com ventilador). Vá verificando até as bolinhas se terem expandido e obtido uma cor dourada.


Quem disser que fica igual ao pão de queijo tradicional...mente :) O sabor é distinto mas a textura é muito semelhante. E agora que já despachei uma quantidade inconfessável de pães de mandioca, vou ali fazer um sumo de maçã e beterrada com limão e gengibre a ver se refresco as ideias ;)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

GRAIN FREE GRANOLA

Há dois anos eu fazia granolas assim. Depois comecei a seguir fielmente este blogue e este (bom, e muitos outros que têm orientações semelhantes). As explicações sérias, fundamentadas e detalhadas destes dois investigadores sobre os alimentos que nos fazem bem e mal levaram-me a grandes alterações em relação à comida que passei a colocar no prato. Não me tornei fundamentalista, não encaro a nova forma de me alimentar como uma dieta, mas sim como um estilo de vida que passou a fazer muito mais sentido e que me faz sentir muito melhor. 
Não como cereais, com exceção do arroz, ainda que pontualmente. A sensação de inchaço e as dores nas articulações desapareceram por completo quando excluí o glúten da minha cozinha. Abro exceções, claro. O casamento foi uma delas :) Mas também percebi o impacto negativo que esses alimentos tinham no meu organismo. E as exceções são isso mesmo: exceções. E não são as exceções que nos fazem mal, são os hábitos quotidianos, o acumular de asneiras dia após dia.
Cortei nos açúcares, com exceção do açúcar de côco (ainda em análise...) e do açúcar naturalmente presente nas frutas (já agora, sobre o impacto da frutose no organismo, ler isto e isto, só para começar). Não foi difícil, ao contrário do que esperava, o processo de adaptação e de exclusão dos doces da minha alimentação. Na verdade, passados dois anos, deixei de apreciar alimentos excessivamente doces (chocolate, só com 70% de cacau) que, aliás, me provocam dores de cabeça.
Para quem corta nos cereais, talvez o mais difícil seja decidir o que comer ao pequeno almoço. Parece não haver alternativas. Sem pão, sem cereais de pacote carregados de açúcar, sem biscoitos e bolachinhas fica-se convencido que se vai passar fome! Confesso que no início esta foi a minha principal dificuldade. Durante muito tempo comi fruta, apenas fruta, em forma de batido, sumo ou salada. Era claramente insuficiente, pois após duas horas estava com uma fome de gladiador! Continuo a comer fruta, mas junto com a fruta consumo um ovo escalfado, algum queijo e manteiga. 
Por vezes, apetecem-me outras coisas como granola com leite de côco (caseiro, naturalmente). A granola que faço agora já não leva cereais. Não tem açúcar adicionado (apenas aquele que está naturalmente presente nos ingredientes usados e que já não é pouco), é bastante densa e pouco doce. Resumindo,  esta granola deve ser consumida com moderação. Uma colher de sopa bem cheia com uma taça de leite de côco e frutas silvestres já me deixa mais do que satisfeita.


A receita é composta por duas partes: uma base e um composto aglutinador. A base tem uma mistura de amêndoas, nozes e caju, mas podem usar outros frutos secos como avelãs, macadâmias, nozes pecan. O composto aglutinador é aquele que permite colar os ingredientes da base. Utilizei bananas, tâmaras e óleo de côco, mas há quem prefira usar, também, manteiga de amêndoa ou avelã. 



Ingredientes
2 chávenas almoçadeiras de amêndoa sem casca
2 chávenas almoçadeiras de miolo de noz
2 chávenas almoçadeiras de caju cru
1 chávena almoçadeira de uvas passas
1 chávena almoçadeira de côco ralado

6 bananas pequenas
1 chávena almoçadeira de tâmaras Medjool (cerca de 17 unidades)
1/2 chávena almoçadeira de óleo de côco (aproximadamente 3 colheres de sopa muito bem cheias)

Preparação
Primeiro, a base. Na Bimby (ou noutro robot de cozinha) triturar grosseiramente a amêndoa, a noz e o caju. Retirar para uma taça grande e juntar o côco ralado e as uvas passas.
Para a cola processar as bananas, as tâmaras previamente demolhadas duas horas e o óleo de côco até obter uma pasta homogénea. Juntar esta pasta ao preparado anterior e envolver bem.
De seguida, colocar num tabuleiro e levar ao forno até a granola secar. Os tempos são variáveis dependendo do tamanho do tabuleiro e do facto do forno ter ou não ventilador. De qualquer forma, a mistura deve ser revolvida com alguma frequência para evitar que queime. Eu prefiro optar por manter a temperatura do forno mais baixa e ligar o ventilador. Isso permite-me menor vigilância e menos reviravoltas da mistura enquanto o processo dura.
Para guardar a granola, escolho sempre recipientes de vidro herméticos e o frigorífico de modo a evitar alterações de temperatura que possam prejudicar o tempo de vida consumível do produto.
Bom apetite!




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Sou uma antropóloga que só pensa em comida...
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